Abandono de criança é o maior em 4 anos

Número de casos de abandono infantil nos oito primeiros meses do ano cresceu 68%, com 254 registros, segundo a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente

Sofia Lorrane/redacao@diarioam.com.br

Manaus – Os casos de abandono infantil cresceram 68,2%, até agosto deste ano em comparação a igual período de 2016,  a maior taxa dos  quatro anos. Os dados foram divulgados pela Secretária de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), registrados na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

De acordo com a SSP-AM, em  2013, até o mês de agosto, foram registrados 172 casos de abandono infantil. No ano seguinte, foram 119. Em 2015, foram listados 137 casos, e em 2016, outros 151 registros. Este ano, já são 254 ocorrências nos oito primeiros meses do ano. Em 2016, o mês com o maior registro foi junho, com 30 casos. Já este ano,  o mês de abril com 56 casos, liderou as ocorrências.

Ocorrências podem ser feitas pelo 181 ou para a delegacia (92) 3656-8575. Não é preciso se identificar (Foto: Sandro Pereira)

De acordo com o delegado Danilo Bacarin, titular do 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP) que está respondendo pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), os crimes de abandono no código penal se caracterizam em abandono material e abandono intelectual.

“Os pais têm o dever de assistir, criar e educar as crianças, no caso do crime de abandono material que é o mais comum, é quando os pais não criam a criança, mas sempre é preciso analisar um caso concreto. O abandono intelectual é bem específico. É quando os pais não dão a educação primária para a criança e não levam à escola”, disse.

Segundo o delegado interino da Depca, toda situação de risco que envolva a criança, por abandono, maus-tratos, estupro de vulnerável ou demais situações de risco, a delegacia verifica se há família, e se não houver o menor é encaminhado para um abrigo.

“Quando a criança é abandonada e não tem familiar nenhum, ou se o familiar não tiver condições, a criança vai para um abrigo. A ideia das crianças que vão para o abrigo é que se consiga uma adoção. No Brasil existem obstáculos, geralmente os pais querem crianças recém-nascidas, ou de até um ano e ai as outras crianças ficam um pouco de lado na fila de adoção”, relatou.

A psicóloga e psicopedagoga Célia Regina Braga, 50, afirma que abandonar uma criança afeta todo o curso de desenvolvimento, principalmente o familiar. O maior impacto é o psíquico, onde o indivíduo tende a adquirir severos danos na saúde mental.

“Causa desconforto, sofrimento, atraso na orientação e na adaptação ao meio, às crianças tendem a crescer como pessoas sem calor com seus contatos e com seus semelhantes, fragilizados eles adoecem psiquicamente. A criança sofre um conflito cognitivo e comportamental imensurável, necessitando de acolhimento e apoio transdisciplinar para elaborar todo esse processo conflituoso e de sofrimento”, explicou.

Para denunciar casos de abandono infantil, basta ligar no disque denúncia 181 ou diretamente no telefone da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), no número (92) 3656-8575, não é preciso se identificar.



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