Afonso Lobo recebia propinas em dinheiro e até em ingressos para a Copa, diz MPF

Ainda segundo o MPF, Lobo solicitava e recebia benesses de variados tipos, como ingressos da Copa do Mundo de 2014, de shows como Villa Mix e Garota VIP, vinhos de alto valor, diárias de hotéis de luxo

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Os pareceres do Ministério Público Federal (MPF) sobre a operação realizada pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (13), em Manaus, afirmam que o ex-secretário da Fazenda do ex-governador cassado José Melo, Afonso Lobo de Moraes, recebia bens materiais e entre R$ 50 e R$ 60 mil em dinheiro, de propina, para favorecer a organização criminosa que desviava recursos da saúde no Estado.

Afonso Lobo está sendo procurado para o cumprimento do mandado de prisão preventiva, segundo a Polícia Federal (Foto: Jair Araújo)

“Salta aos olhos, ainda, a quantidade de bens de alto valor que foram dados ao ex-secretário por Mouhamad Moustafa (considerado chefe da organização), tais como ingressos para final da Copa do Mundo, vinhos raros, reservas sucessivas em hotéis e disponibilização de carros de luxo etc”, destaca o MPF. O MPF diz QUE  a “sistemática prática de crimes é um modo de viver de Afonso Lobo”, registrando que recentemente o ex-secretário foi denunciado pelo crime de falso testemunho, justamente por ter prestado depoimento em juízo na condição de testemunha de Mouhamad.

Ainda sobre Afonso Lobo, o MPF diz, a favor de sua prisão para a garantia da ordem pública, que  levou  em conta “o histórico de processos do ora investigado, o seu intenso trânsito perante a administração pública e suas práticas pouco republicanas, assim como as elevadas propinas que recebia tanto em dinheiro como em benesses”. E alegou que a “liberdade de Afonso Lobo ainda representa iminente risco à instrução criminal”.

Confira os nomes dos investigados pela Justiça (Foto: Divulgação)

“Inicialmente, na linha de todos os ex-secretários, Lobo se prontificou a ser testemunha de Priscila Marcolino Coutinho e, na tentativa de corroborar a tese de defesa de que não há recursos públicos federais envolvidos, mentiu em juízo, na tentativa de ludibriar a Justiça e evitar a busca pela verdade real, a ponto de ser denunciado pelo crime de falso testemunho”, diz o parecer.

O MPF também considerou: “outro risco à conveniência da instrução criminal e da investigação policial está no fato de ser necessário aprofundar as investigações quanto a pagamentos realizados por Mouhamad a pedido de Afonso Lobo à empresa Lorcam, cuja titularidade é de terceiros, porém chegou a receber mais de um milhão de reais, em aparente esquema de lavagem de dinheiro”.

“No que atina a Afonso Lobo de Moraes, secretário de Estado de Fazenda, o seu comprometimento com o esquema criminoso e os indícios de crimes graves que recaem sobre ele são únicos. São fartas as mensagens de celular denotando que o ex-secretário recebia, a cada liberação de pagamentos do INC, cerca de R$ 50 a R$ 60 mil reais. Não contente, também solicitava e recebia benesses de variados tipos, como ingressos de jogos de futebol da Copa do Mundo de 2014, de shows de eventos que aconteciam em Manaus (Villa Mix, Garota VIP e Roberto Carlos), vinhos de alto valor, diárias de hotéis de luxo, em Brasília e Rio de Janeiro; disponibilização de carros de luxo com motorista em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e serviços de enfermagem em domicílio. Além disso, quase 1,5 mi de reais foram repassados a empresa de terceiros (Lorca Consultoria Financeira Ltada-ME) a pedido de Lobo. Em troca dessa fortuna, fica evidente que era agilizado e pagos os créditos que as empresas de Mouhamad e o INC detinham com o Estado do Amazonas”, diz parte de um dos pareceres.