Amazonas é o 9º Estado brasileiro em assassinatos de mulheres

Segundo estudo do Ipea, o Amazonas é o nono pior Estado brasileiro para ser mulher, com uma taxa de 5,9 mortes a cada 100 mil mulheres

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O Amazonas é o nono pior Estado brasileiro para ser mulher, no País, com uma taxa de 5,9 mortes (a média do Brasil é de 4,4) para cada grupo de 100 mil mulheres, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo aponta, ainda, um crescimento de 98,60% em assassinatos de mulheres, entre 2005 e 2010, no Amazonas.

Antes de ser uma vítima fatal, a mulher sofre outros tipos de violência (Foto: Reinaldo Okita)

Roraima é o Estado brasileiro mais violento para as mulheres, segundo o levantamento do Ipea, com dados de 2015. De acordo com a pesquisa, a taxa de mortes no Estado foi de 11,4 para cada grupo de 100 mil mulheres. O número é quase três vezes maior do que a média do Brasil e quase cinco vezes maior do que São Paulo, o Estado com a menor taxa, de 2,7 mortes para cada 100 mil.

No geral, a proporção de mulheres assassinadas tem crescido, nos últimos anos. Segundo o estudo, a taxa média nacional de homicídios entre mulheres saltou 7,5%, entre 2005 e 2015. Por outro lado, em alguns Estados, houve melhora na variação da taxa de violência: São Paulo teve uma redução de 35% nesse período.

No outro extremo do mesmo indicador, aparece Maranhão, que teve um aumento de 124,4% na taxa de assassinatos de mulheres.

Atlas da Violência

Outro estudo que mostra dados sobre a violência no Amazonas é o Atlas da Violência 2017, produzido pelo Ipea. Segundo o estudo, o Amazonas teve o quarto maior crescimento no número de homicídios de mulheres do Brasil, em dez anos. O levantamento foi feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Para comparar, na média brasileira, o aumento no número de homicídios foi de 22,7%.

O número de mulheres assassinadas no Estado só não cresceu mais do que em Roraima (163,6%), Maranhão (155,2%) e Sergipe (150%). No Amazonas, o crescimento foi de 139,6%.

No último dia 9 de março, a lei do feminicídio (Lei 13.104/15) completou dois anos, desde a sua promulgação. A lei tornou o homicídio de mulheres em crime hediondo quando envolve violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

No Brasil, 4,6 mil mulheres foram assassinadas, em 2015, o que corresponde a uma taxa de 4,5 mortes para cada 100 mil habitantes. Entre as Unidades da Federação, a evolução dos homicídios segue direções diferentes. Enquanto em São Paulo houve uma diminuição de 34,1% entre 2005 e 2015, no outro extremo o Maranhão teve incremento de 124%.

Outro dado do levantamento aponta que, enquanto a mortalidade de mulheres não negras teve uma redução de 7,4% entre 2005 e 2015, atingindo 3,1 mortes para cada 100 mil mulheres não negras, a mortalidade de mulheres negras teve um aumento de 22%, no mesmo período, chegando à taxa de 5,2 mortes para cada 100 mil mulheres negras, acima da média nacional.

Os dados apresentados indicam também que muitas das mortes poderiam ter sido evitadas. Em numerosos casos, até chegar a ser vítima de uma violência fatal, essa mulher é vítima de uma série de outras violências como psicológica, patrimonial, física, sexual, entre outras.



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