Animais peçonhentos: cuidado redobrado

Setenta por cento dos atendimentos por ataques de animais peçonhentos, na Fundação Tropical, são oriundos de serpentes. O restante é proveniente de escorpiões e aranhas

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Aranha, cobra e escorpião. Esses são alguns dos animais peçonhentos que levaram 119 pessoas à Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em 2017, na capital. Por causa das chuvas, os primeiros meses do ano registram maior ocorrência de acidentes com animais peçonhentos.

As fortes chuvas do verão amazônico fazem com que os animais e insetos procurem abrigo nos locais mais secos. Os venenosos ficam mais perto do convívio humano, nos primeiros três meses do ano, segundo o médico infectologista da FMT-HVD, Antônio Magela. “Há realmente um aumento deste tipo de acidente nesta época do ano, principalmente de serpentes, escorpiões, aranhas e outros menos frequentes, como ferimentos causados por lagartas”, explicou.

O atendimento médico precisa ser feito já na primeira hora após o ataque, segundo o médico, para não haver complicações. Até outubro do ano passado, apenas uma pessoa morreu, na capital, após um ataque de animais venenosos. Menos de 1% dos casos resultam em morte, segundo Magela.

As cobras são as que precisam ser mais temida. O ataque das serpentes representa 70% de todo atendimento de peçonhentos na Fundação Tropical. Dentre esses, Magela destacou a espécie surucucurana.

(Foto: Jair Araújo / Diário do Amazonas)

De cada dez atendimentos desta natureza, sete foram causadas pela espécie, que é bastante comum na Amazônia. Entre os sintomas causados pelo veneno da serpente, segundo Magela, estão inchaço progressivo e sangramentos. “Pode ocorrer sangramentos no local ou à distância. Um exemplo: a pessoa é picada no pé, tem o sangramento no local, mas também podem ocorrer na gengiva, nos olhos e até no sistema nervoso que, embora raros, são de extrema gravidade”, enfatizou o médico.

Cuidados
Fazer torniquete na área, colocar barro e tentar sugar o veneno. Tudo isso pode complicar a vida do paciente que sofreu um ataque de animal peçonhento, segundo Magela. Até outubro de 2017, Manaus apresentou uma queda de 14% no número de casos, quando comparado ao mesmo período do ano passado.

“Assistência médica no posto mais próximo, é isso que se deve fazer. Não dê nada para beber, não amarre, nem coloque nenhuma substância. Tem quem coloque esterco, barro, teia de aranha, creolina, álcool, gasolina, não existe nenhuma recomendação sobre isso. A recomendação é lavar com água e sabão e procurar um médico”, disse o especialista.

O tratamento é feito com soro anti-ofídico, disponível em todas as cidades do Estado e, em Manaus, oferecido na Fundação.

“O que se recomenda para evitar esses ataques na área urbana é não acumular de lixo ao redor de casa, porque o lixo atrai os roedores e os roedores atraem a cobra. Lixo atrai as baratas e as baratas atraem os escorpiões. É uma questão da cadeia alimentar”, explicou.