Após paralisação surpresa, ônibus voltam a circular no Centro de Manaus

A paralisação iniciou por volta de 15h desta quinta-feira (12). Cerca de 250 ônibus ficaram parados na área central de Manaus. Sindicato afirma que ideia foi dos próprios motoristas

Girlene Medeiros / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Rodoviários de Manaus pararam cerca de 250 ônibus para cobrar pagamento de salários atrasados por, pelo menos, uma hora e meia, na tarde desta quinta-feira (12), nas avenidas Constantino Nery e Leonardo Malcher, no bairro Centro, zona sul de Manaus. A quantidade de ônibus parados foi informada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram). A paralisação terminou pouco depois de 16h30.

Parte dos ônibus ficou parada dentro do Terminal de Integração 1 (T1). Passageiros relataram que os motoristas iam parando à medida que viam outros ônibus estacionados nas avenidas. As pessoas desciam dos veículos e seguiam o caminho à pé até o fim da Avenida Constantino Nery, no sentido sul da capital.

O consultor de vendas Ronaldo da Gama, 21, afirmou que estava no ônibus de linha 125 quando o motorista parou o veículo. Ele disse que caminhou cerca de 300 metros para poder chegar até o terminal. “Ia à aula de direção e perdi o horário. Não sei como vou fazer”, disse.

O técnico em eletrônica Darmis da Costa, 53, disse que entrou no T1, pagou a passagem e, em seguida, os ônibus começaram a estacionar dentro do terminal. “Eu iria pegar o 448 e o povo já foi descendo dos ônibus e caminhando em direção ao Centro”, afirmou.

O Sinetram informou que as empresas de ônibus fazem um levantamento da quantidade de pessoas prejudicadas com o ato. A paralisação surpresa causou congestionamento e prejudicou o tráfego de veículos na área. O ato iniciou por volta de 15h e terminou pouco depois de 16h30. Os ônibus ficaram parados dentro do T1, nas avenidas Constantino Nery e Leonardo Malcher.

Motoristas ouvidos pela reportagem informaram que não receberam o salário do mês. Alguns disseram ter recebido cerca de 20% da remuneração. O atraso causou constrangimento e impediu os rodoviários de pagarem contas de água, luz e cartão de crédito.

“Tem rodoviário que não recebe há sete dias”, disse um motorista que se identificou apenas como Luciano, de 73 anos. Pedindo para não terem os nomes divulgados, cobradores e motoristas abordaram a reportagem mostrando comprovantes de depósito de R$ 300, quando deveriam ter recebido, pelo menos, R$ 1 mil.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), Josenildo Silva, afirmou que o salário dos rodoviários está atrasado há, pelo menos, cinco dias. “O motorista e o cobrador precisa do salário integral”, afirmou.

Segundo o sindicalista, os ônibus parados pertencem a empresas que possuem linhas com destino à zona sul da capital: Global, São Pedro, Via Verde e Expresso Coroado. Silva acrescentou que a paralisação partiu dos motoristas.

Sobre a reivindicação salarial, o Sinetram informou, em nota, que as empresas pagaram 50% do salário, nesta quinta-feira (12), e está negociando o pagamento do restante dos salários para a próxima terça-feira (17).

Detenção e desentendimento

Policiais militares da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) detiveram dois homens por suspeita de terem quebrado vidros de janelas dos ônibus de linhas 004 e 427 que estavam estacionados na Avenida Leonardo Malcher durante a paralisação. Os homens foram liberados.

Ainda durante a paralisação, por volta de 15h30, policiais militares da 24ª Cicom prenderam Felipe Vilace Soares e Felipe Ruan da Silva Ramirez, ambos com 18 anos. Os dois portavam uma arma falsa e uma faca.

Conforme a Polícia Militar, eles tentaram assaltar um ônibus executivo, da linha 813, que tentava trafegar pela Avenida Leonardo Malcher, mesmo durante a paralisação dos rodoviários.

Os policiais perceberam que o cobrador e o motorista aparentavam estar nervosos. Ainda conforme a Polícia Militar, funcionários do ônibus informaram que a dupla assaltou a mesma linha de executivo outras vezes. Eles foram levados ao 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Negociação com prefeito

Durante a paralisação, Josenildo afirmou que as empresas de transporte público devem abandonar o posto, já que não conseguem arcar com o pagamento dos motoristas e cobradores. Rodoviários chegaram a afirmar que a população deveria cobrar medidas do prefeito da cidade.

Conforme o Sinetram, representantes do STTRM reuniram na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), na zona sul, para tratar do pagamento do salário da categoria.

Na tarde desta quinta, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), classificou a paralisação como um “pocket-show” e advertiu os rodoviários sindicalistas: “se manquem”. “Ontem, nosso pessoal negociou bastante com eles. Eles sabem que tem soluções sendo encaminhadas. Isso tudo está cansando”, afirmou o prefeito.

Arthur lembrou que muitas pessoas precisam do transporte público para ir a consultas e fazer tratamentos médicos. “Imagina quem precisa fazer hemodiálise, fazer fisioterapia, ir ao oncologista”, disse Arthur. As declarações do prefeito foram concedidas após entrevista coletiva à imprensa, sobre a assinatura do termo de contrato com a Eletrobras Amazonas Energia.

** Atualizada às 19h54 para acréscimo de informações.