Caso de empresa de formatura que deu calote em formandos é arquivado

Cada formando pagou à empresa de R$ 4 mil a R$ 5 mil. Empresa de formatura não devolve dinheiro de universitários e caso é arquivado. 'Sentimento de revolta e muita tristeza', diz uma das estudantes prejudicadas

Sofia Lorrane/ redacao@diarioam.com.br

Manaus – O processo criminal sobre estelionato contra a empresa Carlitos Formaturas foi arquivado, segundo informações da Polícia Civil. O juiz responsável pelo caso, segundo a PC, alegou que não se tratava de crime de estelionato e sim de procedimento cível referente à quebra de contrato. Em abril, formandos que tinham contratos com a Carlitos Formaturas a encontraram saqueada e com os donos sumidos. Até esta terça-feira (15), os universitários não tiveram nenhum retorno da empresa.

Empresa Carlitos Formaturas foi encontrada saqueada e caso foi arquivado. (Foto: Divulgação)

Os formandos descobriram que a empresa foi saqueada no dia 16 de abril. As vítimas chegaram a registrar um Boletim de Ocorrência (BO) no 22º Distrito Integrado de Polícia (DIP), mas até o momento nenhuma delas teve retorno por parte da empresa.

Segundo a PC-AM, conforme parecer do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), durante depoimento os donos da empresa informaram que devido à má administração, inadimplência, empréstimos bancários, captação de recursos com agiotas, à empresa se deparou com dificuldades financeiras severas. Com isso, não foi possível executar todos os serviços contratados por clientes. Os donos alegaram, ainda, que houve reuniões com clientes para explicar a grave situação vivida pela empresa.

A formanda Waldemara de Souza Vasconcelos, 39, aluna do curso de Farmácia, conta que já havia quitado o valor do contrato para a festa. “Era R$ 5.352 por pessoa. Inclusive na minha turma de 27 pessoas, a maioria já tinha pago tudo. Eles disseram que não iam fazer mais o nosso baile porque não tinham conseguido o dinheiro com o banco, por causa da crise. Eles já sabiam disso, agiram de má fé. Foram cinco anos pensando no momento da formatura, é um sentimento de revolta e muita tristeza”, disse.

Já o formando do curso de Engenharia Civil, Ericson Costa Araújo, 33, relata que não quer que o crime fique impune e pede por justiça. “Eles prestaram depoimento e alegaram que não tinham dinheiro, que não iam fazer o nosso baile e que não tem como devolver o que pagamos. Eu me senti enganado e roubado. Da minha turma de 35 pessoas, cada aluno pagou R$ 4.700. Queremos que eles paguem pelo que fizeram’, explicou.

Andressa de Paula Maciel, 35, do curso de Administração, explica que 90% do valor do contrato já havia sido pago. “Eu paguei os R$4.335 e a maioria da turma também. Está caindo no esquecimento, só quem não esquece são as pessoas que foram afetadas. Foi uma frustração, porque foi algo que a gente planejou, era um sonho e você ouvir da boca do dono da empresa nas vésperas da festa que não vai mais acontecer é revoltante”, relatou.

De acordo com o Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB-AM), Nicolas Gomes, individualmente cada formando poderá ingressar junto ao Poder Judiciário para que os bens patrimoniais do devedor sejam angariados para satisfação da dívida.

“No caso da empresa de eventos que foi contratada para organizar uma festa de formatura e não prestou o serviço, é medida de direito averiguar a conduta dos empresários na esfera criminal, por meio da da Delegacia Especializada em Proteção ao Consumidor (Decon), bem como ingressar na esfera cível com a Ação de Cobrança.”, disse Nicolas.

O Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam) informou, por meio da assessoria de comunicação, que o inquérito foi arquivado, pois o fato é atípico, de autoria desconhecida e não há prova razoável do fato ou de sua autoria do crime.

Donos sumidos

Oito turmas de formandos, representadas por suas respectivas comissões, encontraram a Carlitos Formatura, na Rua Carlos Lacerda, bairro Adrianópolis, zona centro-sul da cidade, saqueada, na manhã do dia 16 de Abril. A empresa, que segundo os formandos pertence a Diogo Aguilar e Rodrigo Aguilar e tinha sido contratada pelos alunos para serviços de formatura, havia pedido aos universitários para que as festas fossem adiadas, alegando dificuldades financeiras.

Os formandos alegam que os donos seguem sumidos desde a data do ocorrido.