Conselho pede ‘basta’ a genocídio de indígenas e cobra ações do governo federal

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário, o Vale do Javari é a região com a maior presença de povos indígenas isolados no mundo. São cerca de 15 referências, de um total de 110 na Amazônia

Da Redação/redacao@diarioam.com.br

Manaus – O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) manifestou, ontem, “profunda preocupação” diante das denúncias do massacre de indígenas isolados, no Rio Jandiatuba, interior da Terra Indígena Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas. A denúncia apresentada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) está sendo investigada pelo  Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF).

De acordo com a denúncia, o massacre foi cometido no mês passado, por garimpeiros que vinham explorando ilegalmente a região. Suspeita-se que a chacina teria sido cometida contra o grupo conhecido como ‘flecheiros’, cuja existência se tem notícias desde a década de 1970.

O Cimi alerta que as atividades ilegais de garimpo na região tinham sido denunciadas às autoridades várias vezes por moradores locais, lideranças indígenas, organizações da sociedade civil e pastorais. No entanto, segundo o Cimi, nenhuma operação de combate ao garimpo ilegal tinha sido deflagrada pelos órgãos de fiscalização até o mês de agosto deste ano, quando uma ação neste sentido foi realizada no final do mês, motivada pela notícia do massacre.

Segundo o Cimi, embora não confirmados até o momento, indígenas relatam que outros dois massacres de povos isolados teriam corrido no interior da Terra Indígena Vale do Javari, na região do Rio Jutaí. De acordo com o Conselho, o Vale do Javari é a região com a maior presença de povos indígenas isolados no mundo. São cerca de 15 referências, de um total de 110 existentes na Amazônia brasileira.

Para o Cimi, “é preciso dar um basta ao genocídio de povos indígenas. O orgão conclama “a todos os homens e mulheres de boa fé, às organizações indígenas, à sociedade civil organizada, às igrejas e à comunidade internacional a exigir do governo brasileiro ações imediatas de proteção dos povos isolados da Amazônia brasileira e, de modo particular, do Vale do Javari”.

Para isso, o Cimi sugere algumas medias, como: a apuração rigorosa do massacre ocorrido no Rio Jandiatuba e das denúncias sobre outros massacres de povos indígenas em isolamento voluntário na região, e a punição dos assassinos; o desmantelamento definitivo dos garimpos ilegais nos rios Jutaí e Jandiatuba; a criação imediata de Bases de Proteção Etnoambiental na região sul da TI do Vale do Javari; a demarcação das terras dos povos indígenas do município de São Paulo de Olivença no baixo e médio curso do Rio Jandiatuba; a urgente proteção aos moradores locais ameaçados; a dotação orçamentária necessária para que a Funai e demais órgãos oficiais de fiscalização possam exercer suas responsabilidades institucionais de combate às invasões e à exploração das terras indígenas;

Deputado propõe visita ao local

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado José Ricardo Wendling (PT) também manifestou repúdio à denúncia do massacre de indígenas do Vale do Javari, no Rio Jandiatuba, no município de São Paulo de Olivença.

José Ricardo cobra apuração dos fatos e propõe que deputados das comissões de Direitos Humanos, de Assuntos Indígenas e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, além da Mesa Diretora da Casa, acompanhem in loco essa situação.