Desvios dobraram em ano eleitoral, revela investigação do MP

Segundo o próprio Ministério Público, a investigação busca, ainda, a ligação política nos desvios de dinheiro público. A utilização de laranjas para o recebimento dos valores também está sendo levantada. 

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – A operação Traíra, deflagrada na manhã desta quinta-feira (7), pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), investiga um desvio de até R$ 8 milhões, por meio de convênios firmados entre empresas, a Federação de Pescadores do Estado do Amazonas e Roraima (Fepesca) e o governo do Amazonas, detectou que em anos eleitorais os recursos repassados à Fepesca dobraram de valor.

Segundo o próprio MP-AM, a investigação busca, ainda, a ligação política nos desvios de dinheiro público. A utilização de laranjas para o recebimento dos valores também está sendo levantada.  “Há um interesse político nesta atividade e toda a diretoria está sendo investigada. Nós sabemos como começa a investigação, mas não sabemos onde vai terminar”, declarou o procurador-geral do MP, Fábio Monteiro.

O procurador-geral do MP, Fábio Monteiro, disse que há um interesse político nesta atividade e toda a diretoria está sendo investigada (Foto: Sandro Pereira)

Os oito convênios investigados e firmados entre os anos de 2009 e 2014, tiveram o valor de R$ 850 mil, no primeiro ano, e de R$ 1,1 milhão nos demais, sendo R$ 1 milhão a serem desembolsados pelo poder público em favor da federação de pescadores; e R$ 100 mil, pela Fepesca, como contrapartida desta entidade.

No cumprimento do mandado, o MP verificou que um dos proprietários das empresas morava em uma das casas que servia de fachada para o negócio. O imóvel era simples e sem nenhum luxo, o que levou a investigação do Gaeco a acreditar que terceiros eram usados como ‘laranjas’ no esquema fraudulento. “Quando vemos esquemas onde existe uma empresa de fachada aparece a figura dos ‘laranjas’ usados também na lavagem de dinheiro”, disse o promotor.

Esquema fraudulento

A Fepesca, no primeiro convênio, contratou 28 empresas que fariam a capacitação, a partir do segundo repasse o número foi reduzido para até quatro empresas, o que levantou a desconfiança do MP. Mesmo as empresas sendo de sócios diferentes, pelo menos seis delas apresentavam o mesmo e-mail de contato e quatro o mesmo número de telefone nos cadastros das notas fiscais.

Batismo

Traíra é um peixe voraz, de dentes afiados, extremamente liso e escorregadio que habita locais de água parada e com vegetação aquática abundante, configurando em uma referência ao modo de agir da quadrilha.



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