Dia das Crianças: jovens se mobilizam para presentear os pequeninos carentes

Hoje adultos, líderes dos grupos também foram agraciados com projetos direcionados ao Dia das Crianças, na infância. Eles se mobilizam para arrecadar roupas, alimentos e, claro, brinquedos

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – A solidariedade vai garantir a diversão para crianças de bairros carentes de Manaus, na próxima sexta-feira (12). Também agraciados com projetos direcionados ao Dia das Crianças na infância, líderes dos grupos se mobilizam para arrecadar roupas, alimentos e, claro, brinquedos para os pequenos. Eles contam que querem retribuir o gesto recebido quando eram crianças.

Há 15 anos, o Projeto Joy leva ao encontro dos meninos e meninas os heróis dos grandes filmes infantis (Foto: Divulgação)

A maior dificuldade é fazer, em ano eleitoral, as discussões acaloradas sobre política darem lugar a solidariedade, segundo informou Paullo Santos, que se reúne com os amigos no projeto que já dura 15 anos.

O grupo do Projeto Joy, que ainda leva ao encontro dos meninos e meninas os heróis dos grandes filmes infantis, ainda não tinha recebido nenhuma doação de brinquedos, até a última sexta-feira. De acordo com Santos, em ano eleitoral a dificuldade sempre se repete.

“Começamos a pedir nas casas mesmo, cestas básicas, roupas. Compartilhando nas redes sociais, tem uma grande repercussão. Acontece que, por estarmos nessa fase política, não conseguimos arrecadar nada, absolutamente nada. Todo ano político tem essa dificuldade, as pessoas deixam de se importar”, revelou Paullo Santos.

Mesmo assim, o grupo não desanima e pretende levar alegria e entretenimento para crianças dos bairros Nova Vitória, na zona leste de Manaus, e Novo Israel, na zona norte, fantasiados de personagens como Chaves, Super-Homem, Capitão América e Emília.

“Eu mesmo tive, quando era criança, essa oportunidade. Uma vizinha distribuía na rua de casa os brinquedos e eu era um dos que recebia. Eu pensava muito nisso, ela não tinha porque fazer isso por nós, mas sempre fazia. Marcou muito a minha infância. A gente acha que, porque somos pobres, não podemos ajudar, mas sempre tem alguém mais necessitado”, disse Paullo.

Para uma das coordenadoras do Centro Espírita Jesus de Nazaré, no bairro Alvorada, zona centro-oeste, Camilla Longo, repetir a experiência vivida na infância tem sido uma experiência recompensadora.

“Há 16 anos, eu também vivia isso. Pra mim, foi o momento em que pude perceber o outro lado, o quanto pra gente é prazeroso, o quanto a gente pode mudar através de uma ação tão simples mesmo, o dia e a vida de uma criança. Não vamos mudar a realidade, mas vamos plantar uma semente”, disse ela.

Cerca de 100 crianças já chegaram a ser atendidas no projeto, que envolve, ainda, a evangelização semanal. Atualmente, para que todos os 40 alunos possam receber um brinquedo, Camilla relatou que vai em busca das doações pedidas pelos pequenos.

“Eu deixo eles escolherem duas opções possíveis, não muito caras, e falo com amigos. A nossa equipe tem pessoas que sempre doam todo ano, que já esperam por essas fotos todos anos e ajudam. Eles vão e presenteiam as crianças pessoalmente”, disse Longo.

O Centro do Alvorada se prepara, neste ano, enfeita o ambiente, oferece lanche e entretenimento para 40 crianças e adolescentes, de 4 a 14 anos, que, de acordo com Longo, muitas vezes não têm acesso a momentos de lazer.

“A maioria das famílias não tem como proporcionar esse lazer. As crianças brincam tanto que esquecem da fome até. Brincam até a noite se deixarmos”, conta ela.

Listas de desejos dos pequenos tem material escolar e comida

Para quem pensa que a boneca e a bola são unanimidade nos pedidos das crianças pode se surpreender. Roupas, cesta básica e até material escolar estão na ‘listinha’ de desejos.

“Uma criança que queria o material para ir pra escola no ano seguinte. Pediu um caderno das princesas e uma mochila de rodinhas. A nossa equipe conseguiu tudo e ainda um brinquedo. Ela ficou extremamente feliz e chorou de emoção. Ela agarrou na minha perna, agradeceu, não imaginava que ela ia ganhar. A reação mais espontânea que eu já vi”, contou a coordenadora.

Para Santos, a demonstração de afeto mais marcante ocorreu mesmo sem doar brinquedo. “Estávamos indo para uma comunidade. Eu estava fantasiado de Super-Homem, dentro do ônibus, e um menino, de uns 9 anos, me abraçou e ficou super feliz de me ver, disse que a capa era muito legal. Ele estava vendendo bombom. Apesar de ter responsabilidades de um adulto, o sentimento de criança ainda existe”, disse ele.