Dia dos Pais é de sofrimento para filhos de detentos em presídios

Para entrar nas unidades, parentes de presos dizem que precisarão enfrentar horas em filas na porta das cadeias. Situação é tensa para crianças, que, muitas vezes, não entendem por que o pai está preso

Sofia Lorrane / redacao@diarioam.com.br

Parentes dizem que filhos não entendem porque o pai está preso (Foto: Eraldo Lopes)

Manaus – Familiares de detentos em unidades prisionais de Manaus relatam as dificuldades em passar o dia dos pais na cadeia. O maior problema, de acordo com eles, é explicar aos filhos dos pais encarcerados por que ele está detido, e levar a criança para a visita, pois as filas são grandes e é preciso ir de madrugada.

Segundo Anita Marques Desiderio, 43, que tem um filho detido na Unidade Prisional Puraquequara (UPP) localizada na zona leste da cidade, o Dia dos Pais é uma data importante, principalmente para as crianças. Ela diz, ainda, que para as crianças entrarem está sendo exigindo uma declaração autenticada em cartório.

“Mesmo indo junto com a mãe e tendo o registro do pai, eles ainda exigem essa declaração, e é muito trabalhoso. Ano passado, a gente levou ele no Dia dos Pais, a gente leva a comida porque eles mesmos não dão nada, quem tem que levar é a família dos presos, eu acho que eles estão falhando nessa área, eles deveriam oferecer alguma coisa para o Dia dos Pais. Todos sentem dificuldade em levar as crianças, só o constrangimento de ter que ir de madrugada, ficar na fila que é grande, é horrível”, disse.

Mayara Perolina de Araujo Gomes, 22, é nora de Anita Desiderio e tem um filho de 6 anos, ela explica que a criança sempre pergunta pelo pai que está preso e ela precisa explicar a situação. “Meu filho sente falta e sempre pergunta quando que o pai dele vai vim para a casa, eu vou tentar levar ele domingo. Nós vamos de madrugada, umas 2h40, para poder conseguir entrar, a gente fica lá na fila até dar a hora de entrar e é muito complicado levar uma criança nessas situações”, explicou.

Nayara de Araujo Gomes, 25, que também tem o marido detido na UPP, relata a dificuldade de acordar de madrugada para ficar na fila esperando para entrar, pois tem dois filhos. “Tenho dois meninos com ele, um tem 1 ano e 10 meses e outro tem 1 ano, o mais velho já foi visitar o pai dele, mas o mais novo não foi ainda, porque tem que ir de madrugada para a fila e é muito sol e calor também. Eles ainda não falam, mas sentem a ausência porque não veem o pai deles aqui”, relatou.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que, neste domingo (13), será um dia de visitas normal, e que não será feita nenhuma comemoração pelo Dia dos Pais.



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