Em Manaus, motoristas da Uber já pensam em deixar atividade após alta da gasolina

Motoristas reclamam e alegam que preço é 'abusivo'. Alguns motoristas da empresa Uber já pensam em abandonar a atividade e clientes reclamam do tempo de espera por corridas

Édria Caroline / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Motoristas manauaras reclamam da alta no preço da gasolina que chega ao valor de R$ 4,69 em alguns postos de combustíveis na capital amazonense. A situação se torna ainda mais insustentável quando as pessoas utilizam veículo, próprio ou alugado, para trabalhar, como é o caso dos motoristas da empresa de transporte por aplicativo Uber. Alguns já pensam até em largar a atividade devido ao reajuste considerado ‘abusivo’ e que deve elevar o preço do combustível nos próximos dias.

Alguns motoristas já pensam até em largar a atividade devido ao reajuste considerado ‘abusivo’. (Foto: Eraldo Lopes)

As altas taxas a serem pagas e os constantes aumentos já fizeram o motorista Gleidson Magalhães, 28, pensar em parar de dirigir pela Uber. “Mesmo com as taxas, eu conseguia ter uma renda boa por semana, porque a gasolina ainda estava com um preço aceitável. Hoje está complicado demais, já precisei cancelar viagem porque a distância e o valor da corrida não compensavam o que eu gastaria com combustível, por exemplo. No início eu tinha livre R$ 1,5 mil na semana. Hoje eu consigo faturar R$ 700 e só R$ 350 eu gasto com gasolina. Nem as contas eu consigo pagar”, explica o motorista que está há oito meses trabalhando como Uber.

Edson Gonçalves, 47, afirma que só não deixou de trabalhar com o aplicativo por esta ser sua única fonte de renda atualmente. “O valor das corridas não compensam gastamos com a gasolina. Hoje, eu só ligo o aplicativo em horários de pico, quando os valores estão mais altos e dependendo do destino. O aplicativo nos obriga a andar com o ar-condicionado do carro ligado, e isso consome gasolina. Agora imagina esta situação no engarrafamento?! Não tem condições. Antes tínhamos postos de gasolina parceiros, mas agora nem eles conseguem ajudar a gente”, enfatiza.

O motorista de transporte por aplicativo, Lincoln Ribeiro, 42, também já pensa em deixar de trabalhar como motorista da Uber. Segundo ele, os lucros obtidos há um ano, quando a empresa começou a operar em Manaus, estão muito abaixo atualmente. “Antes, com R$ 50, eu conseguia rodar 150 km. Hoje eu gasto R$ 70 pra rodar a mesma quilometragem. Pode parecer pouco, mas somando isso por semana, é muito dinheiro. Por semana eu gasto, em média, R$ 350 só com gasolina. Está, realmente, muito complicado”, diz Lincoln.

Usuário dos aplicativos de mobilidade urbana, o administrador Gabriel Pinheiro já percebeu que o número de carros disponíveis, em relação há um ano, diminuiu significativamente e, com isso, a espera tem aumentado. Ele conta que já chegou a esperar até 20 minutos por uma corrida ou ter a mesma cancelada pelo motorista. “Já tive viagens canceladas, alguns motoristas também já perguntaram qual seria a forma de pagamento e qual meu destino para ‘calcularem’ se valeria a pena ou não”, explica.

A equipe de reportagem da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) entrou em contato com a Uber para saber se, nos último meses, já houve motoristas manauaras que deixaram de trabalhar por meio do aplicativo. A Uber informou, em nota, que não tem o controle de quantos motoristas pararam de atuar por conta do aumento no preço da gasolina, porque eles ficam livres para ficar sem rodar por muito tempo, sem serem desconectados do aplicativo. Segundo a empresa, os motoristas só são desligados da empresa caso cometam algum infração.

Reajuste nas refinarias

A Petrobras anunciou que, com o reajuste que entrará em vigor nesta quinta-feira (24), o preço médio do litro da gasolina A sem tributo nas refinarias será de R$ 2,0306, com queda de 0,62% em relação à média atual de R$ 2,0433. Já o valor médio nacional do litro do diesel A recuou 1,15%, para R$ 2,3083, ante a medida atual de R$ 2,3351.