Esgoto de Campo Grande é modelo para nova proprietária da Manaus Ambiental

Aegea Saneamento afirma ter conseguido disponibilizar tratamento de esgoto para 84% da população de Campo Grande-MS e pretende fazer o mesmo em Manaus, onde apenas 19% têm acesso

Girlene Medeiros / redacao@diarioam.com.br

Campo Grande – Enquanto Manaus tem apenas 19,2% da população com acesso à cobertura de esgoto, Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, possui esgotamento para 84% da população. A diferença entre os índices das capitais deve estreitar. É o que promete a Aegea Saneamento, concessionária de água e esgoto que atua em Campo Grande e adquiriu, recentemente, a Manaus Ambiental.

Aegea Saneamento é uma das maiores do setor de saneamento do segmento privado, com 33% do mercado privado de saneamento básico. (Foto: Eraldo Lopes)

Com a aquisição da Companhia de Saneamento do Norte (CSN), que controla a Manaus Ambiental, divulgada em fevereiro deste ano, iniciou o processo de busca pela meta de alcançar a coleta e tratamento de 80% de esgoto até 2030, segundo projeção da Manaus Ambiental.

A Aegea Saneamento e Participações S.A., é uma das maiores do setor de saneamento do segmento privado do Brasil, com 33% do mercado privado de saneamento básico do País. São mais de 7,6 milhões de pessoas atendidas no Brasil, segundo dados da companhia.

A empresa está presente em 49 cidades em 11 Estados brasileiros: Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo, Pará, Santa Catarina, Rondônia, Maranhão, Espírito Santo, Piauí, Amazonas, além de Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, conforme a Águas Guariroba, a população bebe água direto da torneira, sem necessidade de filtro. O esgoto é devolvido a córregos da cidade depois de tratado chegando às águas de forma transparente (esgoto clarificado).

Para quem conhece a realidade manauara, os índices de Campo Grande encantam e a projeção e promessa de avanço provoca expectativa para o caminho que a capital amazonense pode seguir.

A Águas Guariroba assumiu os serviços de água e esgoto em Campo Grande, em 2000. A atuação iniciou mediante contrato de concessão assinado com a prefeitura de Campo Grande. Ao longo dos anos, a concessionária ampliou o esgotamento que era de 27%.

Em Manaus, a compra da Manaus Ambiental pela Aegea foi comentada pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, que deu indícios sobre os primeiros investimentos: “A Aegea se compromete, em 2018, fazer um investimento de pelo menos R$ 170 milhões para água e saneamento”, disse o líder municipal, na época.

Também chamada de Cidade Morena, devido à terra avermelhada, Campo Grande possui 850 mil habitantes. Em Manaus, são dois milhões de habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da diferença populacional, as duas capitais também diferem em outro quesito: planejamento.

A Cidade Morena foi planejada de forma a preservar o verde e as áreas arborizadas, com ruas e avenidas largas. Desde quando se instalou na cidade, a Aegea investiu quase R$ 1 bilhão para o sistema de tratamento de água e esgoto na capital sul-mato-grossense.

O resultado incluiu indicadores melhores de cobertura de água para Campo Grande (99,8%), dado acima da média dos Estados Brasileiros (82,5%), conforme dados da empresa concessionária. E a nova meta é seguir com a cobertura de esgoto coletado e tratado alcançando 100% da população da cidade.

Já Manaus sofre com o crescimento urbano desordenado. De acordo com o plano de investimento da concessionária, nos próximos cinco anos estão previstos R$ 560 milhões para a ampliação da cobertura dos serviços de água e esgotamento sanitário, conforme noticiou a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) no último mês de junho. Dados sobre investimentos serão divulgados nas próximas semanas pela Manaus Ambiental.

Com a experiência de atuação no saneamento básico, a empresa tem o desafio de, além de aumentar a cobertura de esgoto, reduzir o altíssimo índice de 75% de perdas na distribuição de água de Manaus.

Conforme a Aegea, essa taxa é de 19% em Campo Grande. “Esse índice classifica Campo Grande como uma das cinco cidades no Brasil com os menores índices de perda e o investimento nisso é muito importante”, afirmou a presidente da Águas Guariroba, Lucilaine Medeiros.

Em Campo Grande, a Águas Guariroba faz a captação de água a partir de dois córregos: Guariroba e Lageado, além de aquíferos e 150 poços profundos. Na capital amazonense, a captação é feita do Rio Negro, que se destaca pelo volume. Na última sexta-feira (20), o nível do rio era de 28,15 metros, conforme dados do Porto de Manaus.

O conceito de grande volume de água, visível ao morador de Manaus, é um dos pontos que a Aegea pretende impactar com projetos socioambientais. Conforme a empresa, parte considerável dos moradores da capital amazonense tende a não se preocupar tanto com o desperdício de água ao ver rios como o Negro e o Amazonas que são destaques internacionais pelo volume grande de água doce.

Para a Aegea, as diferenças geográficas e culturais entre Manaus e Campo Grande são desafios, mas estão previstas no planejamento. “Este (a atuação em Manaus) será um grande desafio, mas nossa companhia tem capacidade operacional e financeira para levar eficiência e desenvolver o saneamento no município de Manaus”, ressaltou Hamilton Amadeo, CEO da Aegea.