Família e Escola no combate à evasão

O programa de combate ao abandono escolar, da Semed, tem ações que incluem visitas domiciliares, assessoramento nas escolas, oficinas, palestras e atendimento com psicólogas

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus– “Eu entendi que se importavam com o meu filho e isso fez toda a diferença. Ele tinha sete faltas no início do ano letivo e eu não entendia a importância de justificar a ausência para a escola”. O relato da dona de casa Marcela Fernandes de Almeida, 30, é sobre o trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) para diminuir o abandono escolar, que caiu de 2,7%, em 2014, para 1,2% no ano passado, segundo o Sistema Integrado de Gestão Educacional do Amazonas (Sigeam) e o Censo Escolar.


O programa de combate ao abandono escolar, da Semed, tem ações que incluem visitas domiciliares.(Foto: Cleomir Santos/Semed)

O programa de combate à evasão escolar da secretaria é desenvolvido por quatro Centros Municipais Sociopsicopedagógicos (Cemasps), que atuam em todas as zonas da cidade, incluindo a ribeirinha. Visitas domiciliares, em que as assistentes sociais detectam problemas familiares, assessoramento nas escolas, oficinas, palestras e atendimento individualizado com psicólogas estão entre as ações dos centros.

Marcela contou que ficou surpresa ao receber, em março deste ano, a equipe do Cemasp polo 3, que atende a zona leste de Manaus. As faltas sem justificativa que o pequeno Arthur, de 6 anos, acumulava já no início do ano letivo motivaram a visita. Para os profissionais, ela explicou que o menino, estudante do 1º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Aribaldina de Lima Brito, tem problemas de saúde que, às vezes, o impedem de ir às aulas. “Foi um despertar. Na minha vida escolar, nunca tive esse acompanhamento e refleti sobre essa negligência. Agora, estou bem atenta a isso, muito mais próxima da escola e o caso serviu como exemplo e alerta para outras mães não descuidarem da frequência”, observou.

De acordo com a chefe da Divisão de Apoio a Gestão Escolar, Jussara Tavares Marques, problemas de saúde, negligência familiar, conflitos familiares, vulnerabilidade social, situação socioeconômica, gravidez precoce, mudança de endereço, baixa autoestima e emancipação informal estão entre os principais fatores que levam ao abandono dos estudos. “Nas séries iniciais, a gente verifica muito a falta do acompanhamento da família e mudança de endereço. Por questões econômicas mesmo, a família precisa se mudar com frequência e a criança acaba deixando de frequentar a escola. Já nos anos finais, muitos largam os estudos para trabalhar. A violência no entorno da escola e as drogas também são agravantes. Isso a gente tem combatido com programas, palestras e parceria com a Polícia Militar”, destacou.

Dados do Sigeam mostram que, no Ensino Fundamental, a evasão é maior nos anos finais (6º ao 9º). Em 2017, 2,5% dos estudantes da fase final largaram os estudos, enquanto nas séries iniciais o índice foi de 0,6%. “Quando o aluno começa a não frequentar a unidade de ensino é porque ele tem algum problema. Tudo inicia com o professor, que é quem identifica as dificuldades e o comportamento do estudante, podendo encaminhá-lo para o pedagogo ou assessor pedagógico e, se houver necessidade, para a Divisão Distrital Zonal e para o Cemasp, que dialoga com a família”, explicou Jussara.

Uma ficha para comunicar a falta de frequência também faz parte das ferramentas que as escolas utilizam para combater o abandono. “Este ano, vamos trabalhar com prazo. A escola terá o primeiro semestre para mapear os alunos com alguma dificuldade e encaminhar isso até 17 de julho, e o segundo semestre será para monitorar esses alunos”, disse Jussara, acrescentando que o trabalho do Cemasp é auxiliar alunos que precisam de um olhar especial.

Para a secretária municipal de Educação, Kátia Schweickardt, os resultados positivos do programa são devido ao empenho mais que técnico dos profissionais da secretaria para manter esses alunos em sala de aula. “Conseguimos superar as metas que havíamos estabelecido para o abandono escolar, graças aos nossos esforços nas aplicações das ações desenvolvidas pela secretaria voltadas para esse ponto tão importante dentro da rede. O trabalho de acompanhamento desenvolvido pelo Cemasp faz toda a diferença nesses números”, disse a secretária.

Zero de abandono

Única instituição da Região Norte entre as 18 do País a receber o título de ‘Escola Transformadora’, a Escola Municipal Professor Waldir Garcia, no bairro São Geraldo, zona centro-sul da cidade, zerou o abandono escolar desde 2014. A pedagoga Amanda Freitas atribui o feito ao envolvimento dos pais com a unidade. “A família participa da rotina da escola, com palestras, contando histórias, promovendo atividades de teatro e música e também no nosso programa de tutoria”, afirma.

Segundo a pedagoga, a escola tem um grupo de, aproximadamente, 20 pais mais atuantes, que participam com frequência das atividades e que são multiplicadores na tarefa de envolver as demais famílias.

Além do envolvimento dos pais, desde 2017, a escola tem uma assistente social que auxilia na identificação de prováveis desistentes. Se o aluno tem duas faltas consecutivas, a escola entra em contato com a família para saber o que aconteceu.