FVS investiga ingestão de açaí contaminado em três casos de Doença de Chagas no AM

Estado registrou sete casos da doença em 2017. Diretor-presidente da FVS atribui contaminação por açaí à forma de preparo do fruto, que, em alguns casos, não segue critérios de higiene

Joiseane Caldeira / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O Amazonas registrou sete casos de Doença de Chagas em 2017. Desse total, quatro foram registrados após a picada do Barbeiro, inseto transmissor da doença. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) investiga se os outros três têm relação com o consumo de açaí contaminado com fezes do inseto transmissor.

(Foto: Jair Araújo/Arquivo-DA)

De acordo com o diretor-presidente da FVS-AM, Bernardino Albuquerque, no caso da transmissão oral, em razão da higiene inadequada, fezes ou o próprio inseto são processados junto com a polpa e ingeridos pela população. “São situações que acontecem poucas vezes, de tempo em tempo, de forma aleatória e pontual. Existe essa relação do açaí funcionado como meio de transmissão da doença, não que o açaí seja um fruto contaminado pelo barbeiro. Isso está relacionado com o modo de preparo da fruta, principalmente das boas práticas de higienização do produto. Se você não fizer a limpeza adequada do açaí, pode ocorrer, sim, a contaminação”, explicou.

Bernardino associa os casos de transmissão por açaí à forma de preparo do vinho proveniente da fruta, colhida de forma artesanal. Segundo o diretor-presidente da FVS, no Amazonas, a maioria dos casos de contaminação por meio do açaí ocorre no interior.

“Com a mecanização, as feiras da cidade utilizam o preparo do vinho do açaí através de batedeiras e grandes liquidificadores, onde colocam a fruta com os caroços e trituram tudo. Sem ter uma higienização correta, antigamente, era mais precária a produção do açaí: os caroços eram colocados em uma bacia com água fervente e daí se extraia o vinho. O índice de contaminação era muito grande”, comparou.

Para evitar casos de contaminação, Bernardino indicou o consumo de açaí pasteurizado – produto resultante do processo em que a polpa do açaí é aquecida durante alguns segundos a temperaturas entre 80°C e 90°C, e depois é imediatamente resfriada a temperaturas que passam de -30°C.

“A pasteurização garante a pureza do açaí. Recomendo que os consumires do produto verifiquem a procedência do açaí, inclusive verifiquem as condições higiênicas do local de preparo, assim como a venda dos produtos finalizados como picolés, din-din, dentre outros”, orientou.

Casos de contaminação

A Doença de Chagas é uma doença infecciosa febril causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Pode ser adquirida por meio do contato direto com as fezes do inseto chamado Barbeiro, e causa problemas cardíacos e digestivos.

O caso mais recente da doença no Amazonas foi registrado pela FVS no município de Lábrea (a 702 quilômetros de Manaus). Além de Lábrea, os casos de 2017 foram registrados nas cidades Atalaia do Norte, Coari e Maraã.

Segundo a Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), os três pacientes diagnosticados com a Doença de Chagas, recentemente, estão fazendo acompanhamento ambulatorial com medicação. Os pacientes passaram por avaliação, que descartou a necessidade de internação.

Nesta semana, os pacientes devem passar por consulta no Hospital Universitário Francisca Mendes e, na próxima semana, retornarão para consultas na FMT-HVD. De acordo com a Susam, eles foram orientados a retornar a buscar atendimento em uma unidade de saúde, caso ocorram mudanças graves no quadro de saúde deles.