Grupo de 210 médicos cubanos deixa Brasil pelo Aeroporto Internacional de Manaus

Esse é o segundo avião fretado que leva os médicos de Manaus para Cuba, após o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciar a saída dos profissionais médicos cubanos do programa “Mais Médicos"

Jucélio Paiva / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Mais 210 médicos cubanos que atuaram no programa “Mais Médicos”, no Amazonas e outros estados da Região Norte, retornam, na noite desta quarta-feira (5), a Havana, capital de Cuba. A previsão de saída do voo é a partir das 20h, do embarque do Aeroporto Internacional de Manaus Eduardo Gomes, na zona oeste da capital, conforme informou a equipe cubana que acompanha os profissionais.

Esse é o segundo avião fretado que leva os médicos de Manaus para Cuba, após o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciar a saída dos profissionais médicos cubanos do programa “Mais Médicos” em decorrência das declarações do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro,  sobre não aceitar mais pagar 70% dos salários dos médicos ao Governo de Cuba.

Médicos cubanos viajam na noite desta quarta-feira (5) (Foto: Eraldo Lopes/RDC)

O médico Ismael Ortiz atuou por mais de um ano e meio em um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), em São Gabriel da Cachoeira. Ele disse que chorou ao se despedir dos indígenas que ficaram sem assistência médica. “Eu lamento muito. Nós fazíamos um trabalho muito difícil, viajar dois ou três dias de voadeira, passando sede e fome, em condições desumanas fazendo necessidades fisiológicas no mato para atender diversas etnias em lugares bem distantes. Mas aprendemos muito com tudo isso”, disse.

Já o médico Alfredo Pérez atuou dois anos em 16 comunidades rurais de Parintins. Ele falou da experiência e dificuldades de atuar na região, mas alertou que mais de duas mil famílias ribeirinhas estão sem médico com a saída dele. “Hoje estão desprovido de qualquer atendimento médico contando apenas com um técnico de enfermagem e um enfermeiro, mas lamentavelmente, com tudo que aconteceu com o programa Mais Médicos, todos estão desassistidos de qualquer tipo de atendimento”, criticou.

Retorno a Cuba ocorre após declarações do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro,  sobre não aceitar mais pagar 70% dos salários dos médicos ao Governo de Cuba (Foto: Eraldo Lopes/RDC)

Com uma bagagem cheia de lembranças para a família, a médica Sujaila Cata Navarro, trabalhou no município de Presidente Figueiredo, e disse que volta para Cuba agradecida pela oportunidade de ter trabalhado na terra das cachoeiras. “Volto muito agradecida pela oportunidade em poder oferecer saúde para o povo brasileiro que precisava muito, principalmente, aquelas comunidades que mais precisam de médicos. A gente vivia com eles. Comia, criamos vínculo, fazíamos tudo com eles”, disse.

Agradecimento

O comerciante Antonio Carlos de Oliveira Carvalho, 47, viajou 852 quilômetros em uma embarcação Expressos (lancha rápida), de São Gabriel da Cachoeira até Manaus, para agradecer os 210 médicos cubanos que retornaram na noite desta quarta-feira (5) para Cuba.

O comerciante Antonio Carlos de Oliveira Carvalho, 47, (de camisa branca) viajou 852 quilômetros para agradecer os médicos cubanos (Foto: Eraldo Lopes/RDC)

À reportagem da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC), ele contou que viajou, na manhã de sexta-feira (30), e chegou à capital por volta das 17h de sábado (1º). No fim da tarde desta quarta, ele foi até o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes agradecer os médicos cubanos pelos serviços prestados na área da saúde em São Gabriel da Cachoeira e outros municípios do Estado. “A gente tem mais é de agradecer. Fizemos muita amizade com todos eles que estavam lá. Ajudei alguns com abrigo, outros comida, acolhida mesmo. Coisa que pouca gente faz, mas vivenciamos o esforço deles em enfrentar dificuldades para ajudar principalmente o povo indígena”, comentou.

Vagas

Na última segunda-feira (3), o Ministério da Saúde (MS) informou que 82% das vagas do Mais Médicos ainda não preenchidas estão no Amazonas. Oito em cada dez médicos selecionados para a saúde indígena no Amazonas, pelo MS, se apresentam nas comunidades, desistem e retornam à cidade de origem, segundo a Associação dos Municípios do Amazonas (AMM). As vagas indígenas representam metade das oportunidades que foram rejeitadas pelos profissionais do Mais Médicos, em todo País.

** Matéria atualizada às 20h12 para acréscimo de informações