‘Jogo’ para ganhar dinheiro no WhatsApp viraliza e polícia alerta perigo

Chamado de 'Giro Solidário', o jogo, que adere a um tipo de 'pirâmide financeira', tem atraído adeptos nas redes sociais. Prática pode ser considerada uma contravenção penal, segundo a polícia

Karla Mendes / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Um jogo, em um formato no estilo de ‘pirâmide financeira’, tem atraído pessoas para reunirem em busca de ganhar dinheiro e a novidade está cada vez mais sendo comentada nas redes sociais de Manaus. Conhecido como ‘Giro Solidário’, o jogo promete lucro de até oito vezes maior que o investido e é realizado através de grupos no WhatsApp. No entanto, a Polícia Civil (PC) afirma que a prática é uma contravenção penal e ainda alerta possíveis fraudes que podem ocorrer durante o jogo.

O jogo funciona através de doações dos participantes, que são divididos por cores em quatro níveis diferentes. O participante que chega no último nível é quem ganha o valor arrecadado semanalmente e os outros devem recrutar novos membros para avançar de ‘cor’. O ciclo é organizado para que cada participante diferente receba o mesmo valor, a cada semana, e ninguém seja prejudicado.

De acordo com o delegado Adriano Félix, da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd), participar desse tipo de jogo é uma contravenção penal, ou seja, uma ação considerada um crime menor. Adriano afirma, ainda, que existem riscos que o jogo se torne um crime, dependendo da intenção do autor dos grupos.

“Se você estiver ciente que está sujeito a isso, vira apenas um jogo de azar, que você joga mas não é crime, é apenas uma contravenção penal. Mas se a pessoa cria um grupo de WhatsApp e diz que cada pessoa deve oferecer um valor e que cada mês uma pessoa ganha e pega o dinheiro de todo mundo e, em seguida, desaparece, isso vira estelionato”, explicou Adriano Félix.

Participantes ‘acumulam’ doações para quando chegar sua vez se receber (Foto: Reprodução)

O economista amazonense Adriano Almeida adverte que não há chance de sucesso no jogo e que é preciso estar atento a possíveis perdas financeiras. “O fato é que o Giro Solidário é claramente uma pirâmide financeira e, assim como todas elas, está fadado a falência. Caso as pessoas envolvidas estejam mais preocupadas em te persuadir a pagar algo e a te convencer chamar novas participantes, tome cuidado, você pode estar colocando seu dinheiro sobre um alto risco”, alerta.

Participantes chamam de ‘investimento’

Uma estudante de 26 anos, que já participou do jogo e pediu para não ter o nome divulgado, afirma que chegou a ganhar R$ 1.000 em um dos ciclos. Ela diz que a procura por novos “investidores” foi um dos fatores que a fizeram arrecadar o dinheiro.

“Eu tive que procurar cada vez mais ‘investidores’ pra poder passar de nível. Quando uma pessoa ganha ela pode sair e entrar ou criar outro grupo. Eu ganhei o dinheiro cinco dias após entrar no negócio, mas geralmente a meta estipulada é que a cada semana alguém ganhe o dinheiro’, contou.

Outra participante é Vanessa Lopes, 31, que entrou no ‘Giro Solidário’ há dois meses e ganhou a quantia de R$ 1.000,00. No caso de Vanessa Lopes, o grupo criado contou apenas com a participação de amigos e familiares. “As pessoas que estavam no meu grupo eram pessoas que eu confiava, então não tinha erro, pelo menos para mim. Foi como se fosse uma arrecadação em família mesmo”, disse.

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que, até o momento, não havia registrado denúncias sobre possíveis crimes ocorridos nestes casos.

Legislação

Jogos que surgem como variações da conhecida ‘pirâmide financeira’ podem ser caracterizados como crime contra a economia popular, se comprovado o ganho por meio ilícito, conforme a lei n° 1521 de 16 de dezembro de 1951. Segundo o parágrafo nove do artigo 2º desta lei, “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes)” pode levar a detenção de 6 meses a 2 anos de prisão.