Laboratório de Biotecnologia da Ufam aposta em pesquisas com testes genéticos

No laboratório, são acompanhadas mutações genéticas e propensões a doenças que podem ajudar a confirmar um diagnóstico clínico e orientar uma tomada de decisão do médico

Da Redação com Assessoria / Redacao@diarioam.com.br

Manaus – O laboratório de Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) tem desenvolvido uma série de pesquisas e uma delas pode ajudar na prevenção de doenças, como o diabetes tipo 2.

Segundo o coordenador do laboratório, o professor Adolfo Mota, os voluntários participantes das pesquisas recebem uma detalhada análise genética pessoal (Foto: Divulgação/Ufam)

Uma das atividades do laboratório está alinhada a pesquisas que utilizam testes genéticos, uma das áreas mais caras da Biotecnologia. Segundo o coordenador do laboratório, o pesquisador e professor Adolfo Mota, os voluntários participantes das pesquisas recebem uma detalhada análise genética pessoal.

“Os voluntários são vinculados a nossos projetos de mestrado e doutorado e o diagnóstico é a contrapartida que podemos oferecer a eles. Aqui, acompanhamos mutações genéticas, propensões a doenças que podem ajudar a confirmar um diagnóstico clínico e orientar uma tomada de decisão do médico para tentar evitar ou retardar o desenvolvimento da doença em pacientes que possuem a predisposição genética”, afirmou.

Os voluntários que participam das pesquisas envolvendo investigações genéticas são encaminhados pela professora da Faculdade de Medicina (FM/Ufam) Deborah Jezini, docente da disciplina de Endocrinologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina e preceptora em Endocrinologia nas Residências Médicas do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/Ufam). “A experiência clínica da doutora Deborah contribuiu na seleção dos casos suspeitos, ou seja, daqueles pacientes diabéticos que apresentavam indicação para investigação molecular a nível de DNA, e definiu o tipo de alteração genética que a equipe do laboratório deveria investigar”, destaca Mota.

Uma das pesquisas, resultado dessa parceria científica, é realizada pela doutoranda da área de Biotecnologia da Rede Bionorte, Lucivana Prata. Orientada pelos professores Adolfo Mota e Spartaco Astolfi-Filho, Lucivana pesquisa genes relacionados à resistência a insulina em humanos. “Sabemos que uma das causas da diabetes está relacionada a problemas na ação da insulina. Então, desejamos saber se alterações em genes relacionados a essa ação da insulina poderiam resultar em algum problema que desencadeasse a diabetes tipo 2. Até o momento, nós achamos em nossas amostras uma mutação muito importante associada a diabetes”, relata a doutoranda.

Ela ressalta, ainda, que resolveu estender a análise genética à família de um indivíduo da amostra em estudo. “A análise do DNA revelou a mutação em outros membros dessa família, inclusive em alguns deles sem a manifestação clínica da diabetes tipo 2. Esses resultados preliminares sugerem a importância de testes genéticos para intervenção de ações de prevenção para a diabetes tipo 2”, ressalta.

Voluntários são encaminhados pela professora Deborah Jezini (Foto: Divulgação/Ufam)

Parceria pode ser fortalecida com a criação de residência

Prestes a assumir a coordenação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do HUGV, a professora Déborah Jezini afirmou que a proposta da parceria é uma grande oportunidade e destacou que a investigação genética é uma área muito cara e ainda pouco acessível à grande parte da população.

A professora informou, também, que a parceria pode ser ainda mais fortalecida com a criação da Residência Médica em Endocrinologia. “Futuramente, pretendemos montar a Residência Médica na área de Endocrinologia e uma das exigências é que haja um Laboratório de Biologia Molecular. A Ufam atende, no Laboratório de Biotecnologia, coordenado pelo professor Mota, todos os requisitos para levarmos essa ideia e a nossa parceria adiante”, afirmou a professora Deborah Jezini.