Medicamentos em estoque zero, no 28, cresce de 55 para 60, diz Wilker Barreto

O parlamentar informou que o crescimento no déficit ocorreu após dois dias de sua penúltima ida ao pronto-socorro que aconteceu, nesta segunda-feira (4)

Manaus – Nesta quinta-feira (7), o deputado estadual Wilker Barreto (PHS) esteve, novamente, no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, bairro Adrianópolis, zona centro-sul da capital, e constatou que o número de medicamentos em estoque zero na unidade aumentou de 55 para 60. De Produtos para a Saúde (PPS) somam 433 itens.

O parlamentar informou que o crescimento no déficit ocorreu após dois dias de sua penúltima ida ao pronto-socorro, que aconteceu, nesta segunda-feira (4). Apesar das visitas nos hospitais do governador Wilson Lima (PSC) e do vice-governador e secretário da Saúde, Carlos Almeida, durante as festas carnavalescas, nada mudou.

“Quando visitei o 28 de Agosto, no dia 16 de fevereiro, faltavam 47 medicamentos, sendo 29 essenciais e 18 vitais. No dia 23, fui à unidade com a intenção de nova visita e fui barrado. Quando retornei, nesta Segunda de Carnaval, não me passaram a lista oficial impressa, mesmo assim, foi possível visualizá-la e tirar foto, registrando a falta de 55 medicamentos. Menos de uma semana depois, encontro o hospital com o estoque zero de 60 remédios. Estou com medo de vir na semana que vem e esse número aumentar mais ainda. Como ficam os procedimentos que precisam de remédios vitais?”, indagou Wilker.

Ainda segundo Barreto, a situação é crítica pelo fato da unidade receber uma grande quantidade de pacientes. A informação foi passada pelo diretor do HPS 28 de Agosto, Eduardo Mesquita Jr., que atendeu o parlamentar, na manhã de quinta. Os dados revelam que mais de 1 mil pessoas procuram o hospital durante o dia, sendo deste montante, uma média de 300 do interior, totalizando mais de 30 mil indivíduos por mês. Isso sem contabilizar com os Produtos para a Saúde (PPS).

O deputado Wilker Barreto em reunião com o diretor do HPS 28 de Agosto, Eduardo Mesquita Jr. (Foto: Wilkinson Cardoso/Divulgação)

“Eles (governador Wilson Lima e vice Carlos Almeida) foram aos hospitais, no Carnaval, e constataram o que eu constatei no dia 8 de fevereiro. O sistema está em colapso. O que não pode é o governo ser lento com a compra de insumos e medicamentos. O 28 de Agosto atende 70% da população do interior e o governo está dando 60 dias para repor o estoque. O governador e o secretário de Saúde faltam com a verdade. Até lá morreu muita gente”, afirmou.

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Wilker também fez questão de destacar, na conversa com Eduardo Mesquita, que achou estranho a fala do vice-governador em dizer que a insuficiência de remédios do HPS é compensada pela Maternidade Dona Lindu (que fica ao lado do pronto-socorro).

“O próprio diretor do hospital chegou a concordar comigo que, em sua grande maioria, os insumos do 28 são diferentes da maternidade, principalmente quando falamos de complexidade. Acredito que o vice-governador deve ter se equivocado”, frisou. O parlamentar promete adotar providências emergenciais na próxima semana para que os medicamentos sejam restabelecidos.

A reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), solicitando mais esclarecimentos, via e-mail, mas até o momento não obteve resposta.

Nota

Em nota, a Susam informou que a unidade possui, atualmente, em sua farmácia, 166 dos 202 itens que fazem parte do padrão de atendimento. Desta forma, o hospital está operando com 82% de abastecimento.

“A unidade informa, ainda, que segue trabalhando para melhorar o nível de abastecimento, porém ressalta que muitos dos itens que estão em falta no momento podem ser substituídos por outros, sem prejuízo aos pacientes. Outros itens podem estar em falta em uma das formas de apresentação da medicação – por exemplo, não tem em comprimido, mas tem injetável”.

A secretaria falou, também, que “o quantitativo de Produtos Para Saúde (PPS) padrão da unidade – luvas, seringas, frascos, sonda, etc – é de 307 itens e não 433 itens, como afirma o deputado”.

“A direção (do 28 de Agosto) ressalta que ao longo de todo o feriado prolongado de Carnaval a unidade funcionou normalmente, atuando em rede com as demais unidades de urgência e emergência da capital, sem registro de nenhuma intercorrência relacionada à falta de medicamentos”.

***Matéria atualizada às 12h37 para acréscimo de nota da Susam