Motoristas de ônibus paralisam por falta de segurança em frente a sede do governo

Um dos principais motivos do protesto foi a morte de um motorista, na manhã desta sexta-feira, durante um assalto a um ônibus. Reunião com a categoria foi marcada para este sábado (16)

Stephane Simões / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Vinte e três ônibus do transporte público paralisaram as atividades, na tarde desta sexta-feira (15), em frente à sede do Governo, na Avenida Brasil, bairro Compensa, zona oeste da cidade, para protestar contra a insegurança vivida diariamente por trabalhadores da categoria e passageiros. Um dos principais motivos do protesto foi a morte de um motorista, na manhã desta sexta-feira, durante um assalto a um ônibus. Os representantes do sindicato foram recebidos por um representante do governo e uma reunião foi marcada para este sábado (16).

Apesar da paralisação, o serviço no transporte público segue normal nesta sexta e no sábado.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, durante a reunião foram expostas as principais reivindicações da categoria, quanto a segurança nos transportes públicos. Para isto, uma reunião foi marcada para a manhã deste sábado, na Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), e contará com a presença do delegado geral da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e o secretário da Casa Civil do Estado.

“A nossa a nossa maior indignação é a falta de investigação. Eu não sei se é porquê não tem efetivo para investigar ou se é a falta de estrutura, mas o governo do Estado tem por obrigação apresentar para a sociedade esses marginais que assaltam ônibus”, disse.

Entre os planos, ficou definida a criação de uma força tarefa, com o objetivo de identificar os autores dos assaltos praticados aos coletivos da capital.

“Todas as ações são filmadas, (portanto) dá para identificar todo mundo. Esperamos que em 30 a 40 dias essa força-tarefa apresente para a sociedade, pelo menos, 50 ladrões de ônibus. Se não apresentar, é incompetência, porque tudo é filmado”, acrescentou.

Para o presidente do sindicato, se o problema não for resolvido agora, futuramente, os autores dos crimes se tornarão uma quadrilha organizada.

“Hoje o elemento rouba o ônibus e não acontece nada. No momento em que ele for identificado, vai parar de roubar ou vai ser preso. Pelo menos vai saber que a polícia está no encalço dele, pois hoje não acontece nada”, afirmou.

Motorista morre durante assalto

O motorista Antônio Bento da Silva Filho, 48, foi morto durante um assalto a um ônibus da linha 515, por volta das 6h desta sexta-feira, no cruzamento das avenidas Sete de Setembro com Getúlio Vargas, no bairro Centro, zona sul da capital. Durante a ação criminosa, o motorista do veículo travou luta corporal com o assaltante, mas acabou caindo para fora do coletivo e morreu.

De acordo com informações preliminares, o motorista reagiu ao assalto após o indivíduo ir em direção à cobradora. Antônio se levantou rapidamente do assento e começou uma luta corporal com o assaltante, mas na hora ele se desequilibrou, caiu do ônibus, bateu a cabeça e ficou com parte do corpo debaixo do veículo que estava sem o freio de mão puxado. A roda do ônibus acabou passando por cima do tórax do motorista.

Uma equipe da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) esteve no local para prestar os primeiros socorros à vítima. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e levou Antônio para o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto ainda com vida, mas ao chegar a unidade de saúde, ele teve duas paradas cardíacas e acabou morrendo. O assaltante conseguiu fugir levando o celular da vítima e a renda do ônibus.

A família, que registrou Boletim de Ocorrência (BO), no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), disse que o corpo será velado próximo a casa da vítima, em uma igreja da Assembleia de Deus, na zona leste da capital. “Meu marido era muito querido pelos colegas de trabalho e pelos passageiros”, declarou a esposa da vítima, identificada, apenas, como Cristiane.