MPF investiga casos de exploração de índios venezuelanos em Belém

Indígenas, da etnia Warao, também usavam Manaus como caminho para chegar até a capital do Pará, onde se suspeita que brasileiros facilitavam o transporte deles mediante trabalho escravo ou dinheiro

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O Ministério Público Federal (MPF) apura se índios venezuelanos, da etnia Warao, estão sendo alvos de exploração de brasileiros. Alguns desses indígenas passaram por Manaus antes de seguirem para outras cidades, como Belém, capital do Pará, revelou  uma matéria publicada, ontem, pela BBC Brasil, de autoria de Leandro Machado.

Os procuradores estão investigando se brasileiros estariam escravizando os índios, se aproveitando deles financeiramente ou atuando como ‘coiotes’ (traficantes de pessoas) para facilitar a circulação dos grupos pelo Brasil.

De Manaus, índios venezuelanos iam de barco, por dois dias, até Belém (Foto: Sandro Pereira/ Arquivo)

Os indígenas, da etnia Warao, que vivem basicamente de pedir doações nas ruas, começaram a chegar em massa ao País, no ano passado. Um dos motivos da migração seria a crise econômica e política na Venezuela.

“Estamos investigando trabalho escravo, tráfico de pessoas e aliciadores que fazem a viagem dos índios mediante pagamento futuro”, afirmou Felipe Moura Palha, procurador da República com atuação em Belém, à BBC Brasil.

“Alguns ‘coiotes’ poderiam estar ajudando os índios a chegar ao Brasil e a circular pelas cidades, mediante trabalho ou pagamento futuro. É o mesmo que aconteceu com os haitianos. Essas pessoas estariam fazendo os índios trabalhar na rua e endividando os Warao”, completou Palha.

A funcionários da prefeitura de Belém, os índios contaram que procuraram a capital do Pará por causa das festividades do Círio de Nazaré  que ocorreu no último fim de semana. “Alguém falou para eles que, no Círio, poderiam conseguir mais doações de comida e dinheiro”, explicou Rita Rodrigues, psicóloga de um programa federal que atua com moradores de rua.

Algumas famílias indígenas foram para Belém saindo de Manaus, numa viagem de barco que dura ao menos dois dias. A travessia custou R$ 50 por pessoa, mediante acerto de pagamento futuro —normalmente, a passagem custa R$ 200. O preço menor é uma das suspeitas de que brasileiros estariam facilitando a migração para explorar economicamente o grupo.



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