No AM, mulheres negras têm mais chances de serem assassinadas

No Estado, jovens negras correm 6,97 vezes mais riscos do que as jovens brancas, segundo estudo divulgado pela Unesco

Joiseane Caldeira / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O Amazonas aparece em segundo lugar como o Estado em que mulheres negras têm mais chances de serem mortas. O risco relativo – variável que considera as diferenças de mortalidade entre brancos e negros – é de 6,97 mais vezes. Os dados fazem parte do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017 (IVJ) divulgado, nesta segunda-feira (11).

No topo da desigualdade entre as taxas de homicídio estão o Rio Grande do Norte, onde as jovens negras morrem 8,11 vezes mais do que as jovens brancas, seguido do Amazonas, em segundo, com índice de 6,97 e da Paraíba, em terceiro, onde a chance de uma jovem negra ser assassinada é 5,65 vezes maior do que a de uma jovem branca. Em quarto lugar vem o Distrito Federal, com risco relativo de 4,72.

O resultado da pesquisa mostra que mulheres com idades entre 15 e 29 anos têm 2,19 vezes mais chances de serem assassinadas no país. O estudo integra dados da frequência escolar, inserção no mercado de trabalho e taxas de mortalidade por homicídios e por acidentes de trânsito.

(Foto: Renato Araújo / ABr)

O IVJ 2017 traz dados de 2015 e foi elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), pela Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Luta contínua 

Para a Arlete de Anchieta, 68, professora e integrante da Associação do Movimento Orgulho Negro do Amazonas (Amonam), muita coisa ainda precisa mudar no país para que os negros não figurem no topo de listas negativas como a divulgada pela Unesco, nesta segunda-feira (11).

“É importante que a sociedade como um todo encampe a luta contra o racismo e o preconceito. A mulher negra tem contra si o preconceito e o racismo que faz com que, além da violência, ela tenha menores salários e mais dificuldades em encontrar colocação no mercado”, desabafou.

A professora que já é aposentada diz que a luta é contínua e o engajada deve ser diário. Ela dedica todo o tempo livre que tem em busca de apoiar o movimento e levar a discussão sobre o tema para outras esferas.

“Também faço parte do Fórum Permanente dos Afrodescendentes do Amazonas que amplia a discussão e busca trazer mais direitos e igualdades para os indivíduos”, reforçou.