Notas frias foram usadas em convênios, diz promotor

O Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro do MP identificou que os valores das notas fiscais de entrada foram irrisórios, se comparadas as notas de saída

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Durante coletiva de imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira (7), na sede do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), sobre a operação Traíra, que desarticulou uma organização criminosa responsável por desviar quase R$ 8 milhões, o promotor Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP-AM (Caocrimo/Gaeco), Alessando Samartin, disse que Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro do MP identificou que os valores das notas fiscais de entrada foram irrisórios, se comparadas as notas de saída.

Apresentação do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) sobre as notas frias envolvendo a Fepesca e o governo do Estado (Foto: Gisele Rodrigues/Divulgação)

“Quando analisamos em serviços e mercadorias, as vendas feitas pela empresa Jadir, nós observamos que ela vendeu, no período analisado na operação, R$ 7 milhões, porém apenas adquiriu produtos e serviços no valor R$ 15 mil. Uma ‘mágica’ contábil digna dos maiores investidores das bolsas”, falou.

Mais de um terço do valor do repasse estadual foi destinado às empresas Jadir Amorim Ferreira de Oliveira e L. C. Goes Construções, segundo informou o MP.

O promotor explicou, ainda, que mesmo a nota sendo legítima, adquirida nos sistemas Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e da Secretaria Municipal de Finanças (Seminf), o laboratório cruzou os dados para atestar a irregularidade. “Isso reforçou a ideia que as notas fiscais são frias e serviram apenas para mascarar a prestação de contas junto ao Estado”, afirmou Samartin.



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