Para especialistas, caso de alunas fumando maconha precisa de acompanhamento

Psicopedagogos afirmam que, ao invés de apenas expulsar, as escolas precisam estar preparadas para orientar e identificar o que levou a tal atitude. Caso aconteceu em um colégio da PM

Stephane Simões / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O caso das quatro estudantes do Colégio Militar da Polícia Militar VI que foram flagradas fumando maconha deveria ser acompanhado de maneira mais ‘humanizada’, de acordo com a opinião de especialistas. Segundo a Polícia Militar, as alunas foram expulsas da unidade e devem ser transferidas para outra escola da rede estadual.

Para a psicopedagoga Iris Veras, as adolescentes precisam de um acompanhamento mais ‘humanizado’, com diálogo e orientação às alunas. “Sabemos que, com pessoas que fazem uso de drogas, não pode haver atitudes assim, de expulsar, punir. Não é assim que se ajuda. Isso leva a usar mais ainda”, afirma.

A PM informou que o ato foi considerado uma “transgressão muito grave”. (Foto: Reprodução)

A psicopedagoga pontua que, em certos casos, os adolescentes não recebem a orientação necessária em casa e as escolas precisam estar preparadas para lidar com qualquer tipo de situação. “Se não consegue uma orientação na escola, onde você passa maior parte do seu dia, onde é que esses alunos terão orientação? Não adianta você ir dando várias advertências se você não faz acompanhamento, se não conversa. Se houve as advertências e elas passaram por orientações e acompanhamento, a escola se respalda. Se não foi feito acompanhamento, eles não podem apenas punir”, explica.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) afirmou que as alunas serão transferidas para outra unidade de ensino da rede estadual, mas ressaltou que elas não foram expulsas. “Transferência é um nome velado para expulsão. Se formos verificar a situação, o ensino do aluno, de qualquer forma, está sendo interrompido”, avaliou a psicopedagoga.

O psicopedagogo Michel Rodrigues avalia que o correto seria conversar com as alunas e procurar saber os motivos pelo qual as mesmas estão descarregando sua ansiedade com o uso de cigarros. “O adolescente procura o cigarro e o álcool, de alguma forma, para libertar de alguma coisa que ele tá preso. Se elas procuraram a maconha, é porque elas têm alguma prisão dentro delas, que elas precisam se libertar”, conta.

Rodrigues pondera, ainda, que é preciso entender o regime da escola, pois os alunos precisam se adequar às regras da unidade. Segundo ele, neste caso específico, os alunos precisam seguir dois regimes, o da Seduc e o da PM, que é um regimento interno. “O aluno precisa se adequar às regras da escola, e não a escola se adequar ao aluno. Quando o aluno é matriculado em uma escola da Polícia Militar, ele recebe um regimento. Não é certo o uso de entorpecentes, e até mesmo de cigarros, dentro da escola e nas proximidades”, ressalta.

Ainda segundo Rodrigues, em todas as suspensões, a presença dos pais é solicitada e eles ficam cientes de que futuras suspensões podem ocasionar a transferência. “Tanto a família quanto a aluna tinham consciência que ela poderia sair da escola. A família, provavelmente, foi informada que essa aluna causava alguma espécie de problema para a escola”, diz.

O caso

Quatro estudantes do Colégio Militar da Polícia Militar VI foram flagradas fumando maconha. O ato ocorreu na semana passada, mas ganhou repercussão, nesta terça-feira (15), após o vídeo da ação ser compartilhado em aplicativos de mensagens.

Segundo o capitão da PM Anderson Saif, o diretor da escola, tenente-coronel Lamonge, ficou sabendo da situação na última quinta-feira (10). “Essa foi a terceira suspensão que as alunas levaram, mas as anteriores foram por outros motivos. Os pais foram até a escola, na sexta-feira (11), e hoje acaba o período de suspensão”, disse.

Ainda segundo o capitão, as alunas serão transferidas para outra escola, pois as mesmas “descumpriram o regimento da escola, que fere a honra, moral e ética da instituição”.