PMs do Amazonas ameaçam fechar quartel e antecipar paralisação

Associação revelou que militares estão insatisfeitos com falta de negociação por parte do governo do Estado

Sofia Lorrane/ redacao@diarioam.com.br

Manaus – Policiais militares ameaçam fechar um quartel da cidade e antecipar a segunda fase da operação Defesa, onde será feita uma paralisação coletiva nos serviços de diligências e busca e apreensão, caso o governador Amazonino Mendes (PDT) não atenda as solicitações de suspender o parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que impede a promoção de militares por tempo de serviço (Lei Estadual 4.044/2014), e pague os salários atrasados, segundo o presidente da Associação dos Cabos e Soldados (ACS) da Polícia e Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, cabo Igo Silva.

Associação revelou que militares estão insatisfeitos com falta de negociação. (Foto: Pablo Trindade)

“O nosso primeiro passo vai ser fechar um quartel grande da cidade, para ninguém sair e ninguém entrar, uma área da cidade vai ficar sem policiamento, não vamos divulgar a data, vai ser surpresa, também não vamos informar qual será o quartel”, disse Silva, ao explicar as reivindicações. “Se o governo continuar sem querer conversar com a categoria, aí vamos declarar a segunda fase da operação Defesa, sem previsão de retorno”, completou o presidente da ACS. Os PMs chegaram a anunciar greve para o próximo dia 15 de março.

De acordo com Silva, a decisão foi alinhada com a Associação de Praças do Estado do Amazonas (Apeam) e com a Associação dos Subtenentes, Sargentos e Oficiais da Administração da Polícia e Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (ASSOAPBMAM). “O governador não quer dialogar com os policiais militares, se não tem diálogo não tem porque esperar até o dia 15 de março. Queremos deixar a população ciente que tudo que nós queremos é que o governo sente para dialogar pessoalmente com os policiais militares”, explicou.

Manifestação

No dia 1º de março deste ano, os policiais militares fecharam a Avenida Brasil, no bairro Compensa, zona oeste, em frente à sede do governo do Estado em protesto ao parecer da PGE que impede a promoção de militares por tempo de serviço. Na manifestação, os policiais prometeram paralisar os serviços, no próximo dia 15 de março, caso o governo do Estado não derrube o parecer da PGE.

Associação revelou que militares estão insatisfeitos com falta de negociação. (Foto: Pablo Trindade)

Após uma reunião com representantes do Estado no dia da manifestação, ficou decidido que as associações protocolassem um documento e que aguardassem o retorno do governador Amazonino Mendes, que estava viajando, para marcarem uma reunião com o mesmo.

No mesmo dia, uma audiência pública sobre o tema foi realizada na Assembleia Legislativa (ALE). Na audiência ficou decidida a convocação do procurador-geral do Estado, Paulo José Gomes de Carvalho, para prestar esclarecimentos em relação ao parecer emitido pela PGE. De acordo com a autora do requerimento de convocação, a deputada Alessandra Campelo (MDB), o parecer da Procuradoria é apenas consultivo e não tem poder de lei. Segundo ela, cabe ao governo tomar a decisão em relação às promoções.