PMs prometem paralisação de 3 dias em Manaus e mais oito municípios do AM

Governo reagiu a pressão anunciando a promoção de 2.096 policiais, mas segundo o presidente da Apeam, Gerson Feitosa, apenas metade foi contemplada e a greve está mantida

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Policiais militares afirmam que a ‘falta coletiva’ (greve) prometida para quinta-feira  (15), deve durar três dias e atingir, além de Manaus, mais oito cidades do interior do Estado. A informação foi dada em uma reunião, nesta terça-feira (13), na sede da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam), no Parque das Laranjeiras, zona centro-sul de Manaus. O governo reagiu a pressão anunciando a promoção de 2.096 policiais – ao mesmo tempo da confirmação da greve – mas segundo o presidente da Apeam, Gerson Feitosa, apenas metade foi contemplada e a paralisação está mantida.

Representantes da categoria se reuníram na manhã desta terça-feira (Foto: Pablo Trindade)

Apesar de estar marcada para quinta-feira, Feitosa afirmou que a ‘falta coletiva’ pode ser antecipada. Em, no máximo, 48 horas os cerca de 6 mil PMs devem cruzar os braços, em protesto ao fim da lei de promoções da corporação, aprovada em 2014, garantiu Feitosa.

As promoções divulgadas, mas que ainda não foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE), aconteceram em resposta a pressão das associações, segundo o presidente da Apeam. “Essa pode ser a nossa última promoção. Isso pode ser o preço de acabar com a nossa lei de promoções”, criticou Feitosa.

Os policiais exigem a suspensão do parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que impede a promoção de militares por tempo de serviço (Lei Estadual 4.044/2014), além do pagamento de salários atrasados, pagamento imediato da data-base, além de fardamento e coletes balísticos. A lei foi aprovada após a última paralisação da PM, em 2014.

Segundo a Apeam, durante a paralisação, além de Manaus, os batalhões de Tabatinga, Tefé, Coari, Iranduba, Humaitá, Parintins, Itacoatiara e Manacapuru também estarão fechados. Cada praça, segundo o presidente da Associação dos Cabos da PM, Igo Silva, pode ter até três faltas, segundo o regulamento da corporação. “Até nisso tivemos cuidado, porque poderia ser considerado um motim, e iam expulsar os policiais que perderiam os seus empregos. Por isso, optamos pela falta coletiva”, disse Silva.

Exército nas ruas

Além do anúncio da promoção, o governo já reagiu ao movimento grevista da PM, segundo Feitosa, ao se reunir com a cúpula do Comando Militar da Amazônia (CMA). De acordo com o presidente, o propósito do governo é colocar o Exército nas ruas durante os dias de paralisação.

“Já soubemos que o governador está com o CMA, preparando uma contenção. Nós ainda estamos abertos a uma negociação. Para uma conversa, não aquilo que fizeram conosco na quinta”, disse Feitosa. Segundo ele, os policiais foram “esculachados” pelo governador na reunião do último dia 8. “Não fomos bem tratados. Sou presidente há seis mandatos e nunca passei aquilo que passamos com um governador”, reclamou.

O governo disse, em nota, que promove uma “gestão democrática”, “responsável e integrada”. Em relação ao pagamento da data-base, o governo informou que uma comissão técnica está realizando um “estudo específico”, para pagar o valor até o aniversário da PM, em abril.