Polícia Federal deflagra nova operação contra desvios de recursos públicos da Saúde do AM

O Grupo Bringel, empresa de serviços hospitalares, é um dos alvos da operação. Equipes da PF também foram à casa do empresário Murad Aziz, irmão do senador Omar Aziz

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – A Polícia Federal deflagra, na manhã desta quinta-feira (11), a operação Cashback, que investiga a prática de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. Conforme a PF, os crimes foram praticados por empresários que forneciam produtos e serviços à organização social, não alcançados na primeira fase da operação Maus Caminhos. O Grupo Bringel, empresa de serviços hospitalares, é um dos alvos da operação.

Grupo Bringel é um dos alvos da operação (Foto: Raquel Miranda)

Os funcionários do Grupo Bringel foram impedidos de entrar no local, nas primeiras horas da manhã. A reportagem apurou que, após algumas horas, a entrada deles foi permitida, por volta de 8h. Equipes da Receita Federal estiveram dentro do local.

A sede do Grupo Bringel fica localizada na Avenida Cosme Ferreira, bairro Coroado, zona leste. A empresa é uma das maiores fornecedoras de serviços hospitalares da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), responsável pela coleta de lixo hospitalar, equipamentos hospitalares, sistema de gestão de hospitais e esterilização de materiais.

Equipes da PF também foram à casa do empresário Murad Aziz, irmão do senador Omar Aziz, em Manaus. Viaturas da PF também entraram no condomínio Ephigênio Sales, na zona centro-sul de Manaus, na manhã desta quinta-feira.

A Polícia Federal identificou que, dentre as fraudes, o ‘modus operandi’ utilizado pela quadrilha para o desvio de recursos públicos consistia na realização de pagamentos superfaturados em preço e/ou quantidade, coma  posterior devolução de parte do valor pago.

Conforme a PF, as investigações revelaram, numa análise preliminar realizada pela Receita Federal, que empresas fornecedoras de mercadorias e serviços para o Estado do Amazonas utilizavam notas fiscais e recibos frios para geração de despesas fictícias, que, além da redução de tributos a pagar, permitia a geração de ‘caixa 2’, o que, em tese, serviria para enriquecimento ilícito, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro.

Polícia Federal deflagra nova operação contra desvios de recursos públicos, em Manaus (Foto: Raquel Miranda)

Em um dos contratos dessas empresas com o Estado do Amazonas, no valor de R$ 552 milhões, a PF identificou fraude no valor de R$ 140 milhões. Fiscalizações e auditorias complementares foram realizadas pelos órgãos técnicos. De acordo com a Receita Federal, existem indícios de fraudes fiscais de R$ 100 milhões, cujas autuações podem alcançar R$ 75 milhões. Segundo a CGU, foram identificados desvios de recursos públicos no valor de R$ 140 milhões.

A operação deve cumprir 16 mandados de prisão temporária e 40 mandados de busca e apreensão, além de mandados de bloqueios de contas e de sequestro de bens móveis e imóveis, foram expedidas pela Justiça Federal, após manifestação do Ministério Público Federal, e cumpridas por 150 policiais federais.

Novas provas e informações devem ser obtidas com o desencadeamento da operação, dando uma maior dimensão dos prejuízos causados pelos criminosos. O termo ‘Cashback’ refere-se à prática do retorno do dinheiro pago às empresas fornecedoras de produtos e serviços do Instituto Novos Caminhos ao líder da organização criminosa, para que fosse redistribuído a título de propina aos agentes públicos e políticos.

A operação foi desencadeada, em Manaus, pela Receita Federal, Polícia Federal, Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Federal (MPF). Participam da operação dez auditores e dez analistas da Receita Federal, 150 policiais federais e 8 auditores da CGU. No final da manhã desta quinta, a PF deve repassar outras informações.

***Atualizada às 11h.