Advogado induz vítima de estupro a mudar depoimento e é preso por obstrução da justiça

José Dorneles Neves foi preso em Fonte Boa por coagir menina de 12 anos em caso de estupro

Jucélio Paiva / redacao@diarioam.com.br

Advogado foi preso em Fonte Boa (Divulgação/PC)

O advogado José Dorneles Neves, 66, foi preso, na tarde desta quinta-feira (7), pelo crime de obstrução de justiça, em Urucará (a 261 quilômetros a leste de Manaus). O advogado e um casal identificado como Elson Ladmar da Costa e Iane Neves, que também foram presos, ofereceram dinheiro para uma criança de 12 anos, vítima de estupro, mudar o depoimento dela e livrar o cliente dele, conforme informou o delegado Jony Barbosa Leão, do 55ª Delegacia Integrada de Polícia (DIP) de Fonte Boa.

De acordo com Leão, o crime ocorreu no dia 7 de novembro deste ano, quatro dias depois da menina de 12 anos ter sido estuprada e um homem, identificado como Vanderson Gama Portela, que não teve a idade divulgada, ter sido preso, suspeito do crime.

Conforme o delegado Jony Leão, Elson e Lane que são parentes do suspeito do estupro, levaram a vítima até o escritório do advogado e ofereceram dinheiro para que a menina mudasse o depoimento na Justiça para livrar Vanderson da acusação.

“Esta conduta foi denunciada ao Ministério Público do Amazonas, que pediu a prisão dos envolvidos. Apenas foi descoberta a tentativa de fraude porque os parentes do Vanderson, depois que saíram do escritório, levaram a vítima de volta à delegacia para mudar o depoimento, mas se surpreenderam com a presença dos psicólogos do Creas, que acompanharam a jovem em seu novo depoimento, e desconfiaram da atitude dela”, disse.

O advogado José Dorneles, Elson Ladmar e Iane Neves, foram presos, por volta de 12h, em cumprimento a mandado de prisão, expedido pelo juiz da comarca do município, Diego Daniel Bal Bosco. Os três seguem presos na delegacia de Fonte Boa, segundo o delegado Jony Leão.

Obstrução da justiça

O delito “obstrução da justiça” é conceituado como o ato de impedir ou embaraçar investigação penal, sendo que pode ser cometido por qualquer pessoa. A mera intenção de querer impedir uma investigação não faz o crime acontecer, ou seja: não basta que a pessoa queira atuar contra, ela tem quede fato impedir ou embaraçar os trabalhos da investigação.

O crime é considerado como equiparado à organização criminosa e quem o comete responde nas mesmas penas daqueles que integram a organização, que são de 3 a 8 anos de prisão e multa.



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