Bala encontrada no corpo de adolescente é da arma de policial militar, aponta laudo

Segundo a delegada Rita Tenório, a arma encontrada no local do crime foi plantada pelos policiais para simular a troca de tiros com Hering da Silva Oliveira e outros jovens envolvidos no caso

Filipe Távora / redacao@diarioam.com.br

Manaus — A Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou, na tarde desta quinta-feira (8), o resultado do laudo de comparação balística do adolescente Hering da Silva Oliveira, 15, morto com um tiro no mês passado. O exame confirmou que o projétil encontrado no corpo da vítima saiu da arma do policial militar Erivelton de Oliveira Hermes. Segundo a delegada Rita Tenório, a arma encontrada no local do crime foi plantada pelos policiais para simular a troca de tiros com Hering e outros jovens envolvidos no caso.

O resultado do laudo feito pelo Departamento de Polícia Técnico Científica do Amazonas (DPTC) foi divulgado pelo secretário de segurança pública (SSP-AM), coronel Amadeu Soares, na sede da SSP, no Shopping ViaNorte, Avenida Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus.

O homicídio do adolescente ocorreu no dia 25 de outubro, na Minivila Olímpica do bairro Santo Antônio, zona oeste de Manaus, onde Hering foi morto com um tiro nas costas durante o atendimento de uma ocorrência da Polícia Militar (PM).

O adolescente Hering da Silva Oliveira, de 16 anos, morreu após ser baleado, na minivila Olímpica do bairro Santo Antônio, na zona oeste de Manaus (Foto: Reprodução)

Entenda o caso

Conforme um tio do adolescente, o industriário Raimundo Nonato Lima, 45, Hering estava no campo de futebol da Minivila Olímpica, quando, por volta das 16h, o adolescente foi surpreendido, na companhia de alguns colegas, pela presença de policiais militares.

A 5ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), segundo o industriário, havia recebido a denúncia de que alguns homens armados estavam no campo. Com base no relato dos moradores, o tio da vítima disse que, quando aos PMs se aproximaram, os garotos se assustaram e correram. “E nisso meu sobrinho pegou um tiro nas costas”, disse.

O adolescente chegou a ser socorrido pelos policiais militares e levado ao Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) do São Raimundo, mas não resistiu ao ferimento. De acordo com o delegado geral adjunto da Polícia Civil (PC), Ivo Martins, quatro PMs chegaram à ocorrência, no dia do crime, em duas viaturas.

No dia 28 de outubro, um laudo residuográfico realizado pelo Departamento de Polícia Técnico Científica (DPTC/AM), constatou que não havia a presença de pólvora nas mãos do adolescente, o que eliminou o testemunho dado pelos PMs, de que o jovem teria efetuado disparos contra eles.

No dia 30 de outubro, os policiais Erivelton de Oliveira Hermes e Francisco Adson Bezerra Rocha foram presos por envolvimento na morte do adolescente. Os PMs Bruno Freitas e Ivanildo Rosas também foram presos, por fraude processual, que é o testemunho falso dado à Justiça.

A Polícia Civil (PC) concluiu, também, que nenhum dos adolescentes envolvidos estava armado e que não houve troca de tiros com a polícia.

Conforme o delegado Ivo Martins, dois PMs receberam a denúncia que os levou ao local do crime, mas quatro se deslocaram até lá. “Os vídeos (das viaturas dos policiais) foram fundamentais para a gente entender a dinâmica dos fatos. Ocorrência foi atendida em primeiro momento pelos policiais Bruno e Ivanildo e foi possível constatar que Erivelton e Francisco chegaram no local em conjunto com os outros dois”, afirmou.

Martins disse, ainda, que o motivo que levou ao disparo do policial Erivelton contra Hering ainda não foi esclarecido e será investigado. “Conseguimos constatar que os PMs falavam, a todo tempo, com uma pessoa cuja identidade já sabemos, mas não podemos revelar, nesse momento. Os policiais pediam um ‘cabrito’, que no jargão popular é conhecido como uma arma plantada”, relatou.