Casal apontado de praticar cárcere privado nega acusação

De acordo com Maria Odete Ribeiro Printes, 47 e José Nilton Matos Siqueira, 46, Edson dos Santos, 33, teria pedido para morar na casa deles e nunca foi impedido de sair da residência

Vanessa Oliveira / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Na manhã desta quinta-feira (14), o casal Maria Odete Ribeiro Printes, 47 e José Nilton Matos Siqueira, 46, suspeito de manter Edson dos Santos, 33, em cárcere privado, falou com exclusividade ao GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC), sobre a acusação. Os dois foram presos, neste domingo (10), após Edson prestar queixa no 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP) com a ajuda do filho do casal. Ambos foram soltos após quatro dias, por meio da audiência de custódia.

De acordo com  José Nilton, Edson teria pedido para ficar em sua casa, na Rua Tiradentes, na Comunidade Parque Mauá, bairro Mauazinho, na zona leste de Manaus. “Um dia ele pediu para ficar na minha casa para alegar o endereço para receber o benefício (do INSS). Conversei com a minha esposa e acolhemos o homem, mas ele nunca foi proibido de sair de casa”, explicou.

Ainda conforme informações de José Nilton, Edson seria morador de rua há, pelo menos, três meses e sempre pedia alimento em seu lanche. O homem é oriundo de Japurá (a 744 quilômetros a noroeste de Manaus) e está na capital para a realização de uma cirurgia de retirada de um tumor no cérebro.

Maria Odete diz estar “profundamente abalada”. “Sempre ajudei as pessoas, sou pastora, mas essa não a primeira vez que trouxe alguém para dentro da minha residência. Nunca mais ajudarei ninguém nessa vida”, desabafou a mulher.

A residência do casal está localizada na Rua Tiradentes, na Comunidade Parque Mauá, bairro Mauazinho, na zona leste de Manaus (Foto Pablo Medeiros)

Entenda o caso

No domingo, José Nilton e Maria Odete foram presos após Edson prestar queixa no 14º DIP. Ele alega ser vítima de cárcere privado e só conseguiu chegar até a delegacia com a ajuda do filho do casal. A residência fica localizada no bairro Mauazinho.

De acordo com informações de um sargente do Polícia Militar (PM) com base no depoimento da vítima, Edson chegou a 29ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) alegando ter sido mantido em cárcere privado por, pelo menos, um mês. Ainda conforme o sargento, tudo começou quando o casal ofereceu a casa deles para que a vítima ficasse hospedado durante processo de recuperação médica.

Segundo o depoimento de Edson, Maria Odete e José ofereceram a residência deles para ele morasse durante o tratamento, mas assim que recebesse seu benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele deveria fazer o repasse do valor ao casal.

Edson relatou, também, que passou um mês sem poder sair da casa e que era constantemente dopado com Diazepam (remédio controlado e que tem forte efeito calmante). Após a queixa, José Nilton e Maria Odete foram presos, em um feira, no mesmo bairro onde moram.