Delegado diz que grupo que pede ‘volta’ de narcotraficantes pode ser indiciado

Manifestantes que fecharam trecho da Avenida André Araújo, na manhã desta quarta-feira (9), podem ser indiciados criminalmente por apologia de fato criminoso e participação de organização criminosa

Sofia Lorrane / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O grupo que protestou pedindo o retorno dos narcotraficantes José Roberto Fernandes Barbosa, o ‘Zé Roberto da Compensa’ e João Pinto Carioca, o ‘João Branco’, para Manaus, na manhã desta quarta-feira (9), em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, bairro Adrianópolis, zona centro-sul, pode ser indiciado criminalmente por apologia de fato criminoso e participação de organização criminosa, segundo o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), delegado Guilherme Torres.

De acordo com o delegado, o ato representa uma inversão de valores. “O que se extrai dessa manifestação é que há uma patente. Não se pode utilizar e banalizar um direito fundamental, que é a liberdade de expressão do pensamento como um escudo protetor para praticar crimes”, explicou.

Torres destaca o artigo 287 do Código Penal que condena fazer publicamente apologia de fato criminoso ou de autor de crime, com pena de detenção de três a seis meses, ou multa. E da Lei 12.850, artigo 20, com pena de reclusão de três a oito anos e multa para quem promover, constituir, financiar ou integrar organização criminosa.

“Essas pessoas que se manifestaram podem correr no crime de apologia ao autor de crime, as pessoas que forem identificadas irão responder criminalmente por isso, não está descartada também a possibilidade de indiciamento por participação em organização criminosa”, disse a autoridade policial.

Manifestação

Na manhã desta quarta-feira, um grupo fechou trecho da Avenida André Araújo dizendo que o protesto era por falta de moradia, mas, minutos depois, foi revelado o real motivo era o pedido de retorno a Manaus dos narcotraficantes Zé Roberto e João Branco, ambos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN).

Recentemente, João Branco foi condenado a mais de 30 anos de prisão pela morte do delegado de Polícia Civil (PC) Oscar Cardoso. Além de ser um dos fundadores da FDN, Zé Roberto é considerado o mandante da chacina que resultou na morte de 56 presos, em janeiro do ano passado, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

Em processos disponíveis no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), aos quais a reportagem teve acesso, não foram encontrados pedidos de regressos dos dois traficantes. A assessoria de comunicação do TJAM informou que o órgão não irá se manifestar sobre o assunto.