Detento suspeito de sumiço de vendedora que desapareceu perto do Compaj foi morto, diz PC

Suspeita é que ele tenha sido assassinado dentro do Compaj, logo após o sumiço da vendedora, mas as informações sobre o homicídio foram divulgadas pela PC somente nesta quarta

Jucélio Paiva / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Apontado pela polícia como ‘peça-chave’ e principal suspeito do sumiço da vendedora de sucos Andressa Castilho de Souza, 23, o detento Daniel Ferreira Chaves, 45, foi morto, e teve o corpo esquartejado. A suspeita é que o assassinato tenha ocorrido nas dependências do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), logo após o desaparecimento de Andressa, mas as informações sobre o homicídio foram divulgadas pela Polícia Civil (PC) somente nesta quarta-feira (10).

Andressa Castilho de Souza desapareceu perto do Compaj. (Foto: Divulgação/PC)

A polícia suspeita que Daniel tenha sido torturado antes de ser morto. O corpo do detento ainda não foi localizado pela polícia, porém, a família reconheceu o homem por meio de fotografias repassadas à PC, conforme afirmou, ao portal D24AM, o delegado Guilherme Torres, diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). O delegado não divulgou quem repassou as imagens.

A suspeita é que Daniel, que cumpria pena por roubo majorado no semiaberto do Compaj, tenha sido morto logo após o desaparecimento de Andressa. Segundo o delegado Guilherme Torres, a PC conseguiu confirmar que o suspeito morreu após fazer buscas no regime semiaberto do Compaj, quando peritos encontraram sangue no mesmo local onde foram feitas as imagens do detento morto. A polícia achou outros vestígios que reforçam a hipótese, como uma machadinha e um tijolo sujo de sangue – objetos que aparecem nas imagens enviadas à polícia.

“Temos provas concatenadas que nos levam à conclusão de que houve um homicídio. Nós temos fotos, temos um áudio, temos uma perícia no local de crime, nós encontramos exatamente o local onde aparece ele esquartejado. Nós encontramos também o local onde aparece ele amarrado deitado, e todos esses locais são dentro do semiaberto”, disse o delegado, acrescentando que aguarda o resultado da perícia e exame de DNA, para confirmar se o sangue encontrado é do detento Daniel Ferreira.

Perícia achou vestígios que confirmam que o detento foi morto dentro do Compaj. (Fotos: Divulgação/PC)

Nesta quarta, o diretor do DRCO informou, ainda, que a polícia já identificou um suspeito de envolvimento na morte de Daniel. De acordo com o delegado, também já foram identificadas, por meio de um áudio, pessoas envolvidas na tortura do detento.

Desaparecimento

Daniel é apontado como peça-chave, porque foi a última pessoa vista com Andressa Castilho, antes do desaparecimento dela, ocorrido no 28 de novembro de 2017, em uma área próxima ao Compaj. Porém, o delegado Guilherme Torres disse que não descarta o envolvimento de outras pessoas no sumiço da jovem, que desapareceu após ter ido visitar o marido no regime fechado do Compaj.

No dia 11 de dezembro do ano passado, durante buscas nas matas do Compaj, a polícia encontrou uma bolsa de uma mulher com um rolo de fita isolante dentro, e um pano com manchas que se assemelham a sangue. O material também está sendo periciado.

Informações que ajudem o DRCO a elucidar o caso e encontrar Andressa Castilho e o corpo de Daniel Ferreira, podem ser repassadas para o 181, Disque-Denúncia da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). O delegado Guilherme Torres assegurou que o nome do informante será mantido em sigilo.