‘Meu irmão ajudou muito o tenente que tirou a vida dele’, diz irmão de cabo morto

O irmão de cabo Grasiano, o soldado Alessandro Monteiro, 42, informou desconhecer qualquer motivo que possa ter gerado um desentendimento entre os policiais militares

Manaus — “O meu irmão era uma pessoa boa. Inclusive, ele ajudou muito esse tenente que tirou a vida dele”, afirmou o soldado Alessandro Monteiro, 42, a respeito da morte do cabo Grasiano Monteiro Negreiros, 36, morto após ter sido atingido pelos disparos feitos pelo tenente da Polícia Militar (PM) Joselito Pessoa Anselmo, na madrugada deste sábado (5), na Rua Monte Horebe, bairro Colônia Santo Antônio, zona norte da capital. Além do cabo, os disparos de Anselmo também mataram um sargento, além de ferir um major e um borracheiro, segundo o sargento Igor Silva, presidente da Associação de Cabos e Soldados.

Em entrevista à Rede Diário de Comunicação (RDC), o irmão de Grasiano comentou que os cinco homens eram amigos. “Meu irmão, o tenente e o sargento eram amigos há muito tempo”, disse. Alessandro desconhece qualquer motivo que possa ter gerado um desentendimento entre os homens. O soldado afirmou, também, que o cabo e Anselmo eram tão próximos a ponto de Grasiano emprestar dinheiro ao tenente.

Cabo Grasiano (à esquerda) e sargento Edizandro (à direita) morreram atingidos pelos disparos feitos pelo tenente Joselito Pessoa Anselmo (Foto: Divulgação/Família)

O soldado relatou, ainda, que os pais do militar falecido perderam uma filha, de 42 anos, vítima de um atropelamento ocorrido em janeiro de 2017, que trabalhava como atendente em um mercadinho pertencente a Grasiano. “Perder outro irmão, assim… é difícil”, relatou, com os olhos entristecidos e inchados.

Alessandro criticou, ainda, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM). “Eu vejo um total descontrole do Secretaria de Segurança, com seus subordinados. Há muitos militares decentes, é claro, mas há também os que fazem uso de drogas e álcool em excesso”, afirmou o soldado, dizendo, também, que é necessário um monitoramento das atividades dos militares.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) informou que a Polícia Militar lamentou a tragédia e se solidarizou com os familiares e amigos, prestando apoio psicossocial, por meio da Diretoria de Promoção Social da PM, às famílias das vítimas, com atendimento médico, psicológico, e apoio aos procedimentos funerários.

Grasiano deixa uma esposa e três filhos; uma menina de nove anos, uma de três, e um bebê de nove meses. O velório do cabo ocorre na Igreja Assembléia de Deus, situada na rua Vitória Régia, bairro Coroado, zona leste de Manaus, na tarde deste sábado.

Entenda o caso

Segundo o sargento Igor, os cinco homens envolvidos retornavam de um festa, dentro de uma viatura da PM, um Voyage de cor prata e placa PHO-2296, onde foi encontrado um balde contendo bebidas alcoólicas. A suspeita, divulgada pela Associação de Cabos e Soldados,  é de que os disparos tenham sido realizados dentro do automóvel pelo tenente Anselmo contra o major Ludernilson Lima de Paula, o sargento Edizandro Santos Louzada, o cabo Grasiano Monteiro Negreiros e o borracheiro Robson Almeida Rodrigues. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) investiga o caso.

De acordo com o boletim médico repassado pela Secretaria de Estado de Saúde (SUSAM), o major, baleado no ombro esquerdo, já foi submetido a exames, está consciente e orientado. O civil também fez exames e passa bem.

O tenente Anselmo foi preso e flagranteado na DEHS. Ainda em nota, a SSP-AM declarou que o secretário de segurança pública do Amazonas, coronel Louismar Bonates, determinou, neste sábado (5), a abertura de um procedimento investigativo para apurar rigorosamente a ocorrência.