Motorista de app recusa transportar homossexual e passageiro faz denúncia

O cabeleireiro Hisnard Serra do Amaral, 29, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O), na Polícia Civil, pelo crime de injúria

Jucélio Paiva / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Um motorista de um aplicativo de transporte pago foi denunciado por injúria, após se negar a levar um passageiro e questionar se a vítima era homossexual. “A sensação foi a de levar um tapa de alguém e ainda ter quer ficar calado. Fiquei com o choro preso”, comentou o cabeleireiro Hisnard Serra do Amaral, 29, vítima do caso.

“É ‘viado’ não né? Não curto fazer corrida para ‘viado’ não. Blz. Melhor tu cancelar por aí. Pede outro” (Sic), disse o motorista, na mensagem pelo aplicativo, ao cabeleireiro. O caso aconteceu, na noite do último domingo (10), após o cabeleireiro solicitar uma corrida para uma rua onde existe uma boate bastante frequentada pelo público LGBT, no Centro da capital.

(Foto: Reprodução/Facebook)

Na manhã de segunda-feira (11), o cabeleireiro registrou um Boletim de Ocorrência (B.O), na Polícia Civil, pelo crime de injúria e denunciou o motorista para a empresa proprietária do aplicativo. Imagens com as mensagens que a vítima considera como homofóbicas foram publicadas, em uma rede social, por outra pessoa , até a tarde desta quarta-feira (13), tinha mais de 800 compartilhamentos, segundo Hisnard.

O motorista do aplicativo que aceitou a corrida do cabeleireiro estava em um carro Chevrolet Classic de cor preta e placa NOX-1186. Hisnard contou que, após passar pelo constrangimento, cancelou a corrida e ficou sem reação. “Foi uma forma de agressão mesmo. Ele estava no trabalho dele e não tinha o direito de falar aquilo”, criticou.

Ainda segundo o cabeleireiro, na tarde desta quarta-feira, a empresa do aplicativo de transporte entrou em contato com ele e comunicou que está tomando as providências com relação ao caso.

Nota

Em nota, a empresa informou que recebeu do passageiro a grave denúncia envolvendo um motorista da plataforma e que o perfil do condutor foi imediatamente bloqueado do aplicativo. “A 99 repudia qualquer forma de preconceito e tem uma política de tolerância zero em relação a isso. A empresa se solidariza com o passageiro e lamenta profundamente. A companhia está em contato com ele para prestar todo o apoio que for necessário. Também se encontra aberta a colaborar com a polícia”, disse.

A 99 declarou, ainda, que está trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, para colaborar com a segurança dos usuários e usuárias.

***Matéria atualizada dia 15 de março, às 10h16, para incluir informação