Mulher é morta pelo marido; sogra da vítima relata histórico de violência do filho

A mãe dele contou que abriu diversos processos contra o filho, mas ele se recusava a sair da casa da vítima, na zona norte, mesmo com determinação judicial. Ele já havia sido condenado por matar uma ex-namorada

Filipe Távora / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Marli Correia da Silva, 36, foi assassinada a facadas, na casa dela, na zona norte de Manaus, na noite desta quarta-feira (11). A polícia classificou o crime como feminicídio e aponta como autor o marido da vítima, o borracheiro Mark Amorim Simões, 36. O homem, que está foragido, já havia sido condenado por matar uma ex-namorada. A própria mãe de Mark contou que abriu diversos processos contra o filho por agredir fisicamente e verbalmente a nora dela, mas ele se recusava a sair de casa, mesmo com determinação judicial.

Marli foi morta a facadas (Foto: Reprodução Sandro Pereira)

De acordo com informações da Delegacia Especializada em Sequestros e Homicídios (DEHS), a vítima foi atingida por três facadas, uma na barriga e duas nas costas, dentro de casa, na Rua das Pedreiras, Colônia Terra Nova III.

Marli foi socorrida e levada ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Galileia, onde morreu na madrugada desta quinta-feira, por volta de 1h. O corpo dela foi levado para Instituto Médico Legal (IML), ainda na madrugada.

Os dois moravam ao lado da casa da mãe do suspeito, a autônoma Ana Lúcia Amorim Simões, 53. À reportagem, Ana Lúcia afirmou que ela e a nora já tinham aberto diversos processos contra Mark por violência doméstica.

Mark, que tinha histórico de violência contra Marli, fugiu após o crime (Foto: Reprodução Sandro Pereira)

De acordo com a autônoma, a justiça já havia determinado que o homem se afastasse da vítima. “Meu filho já tinha arrumado, anteontem (terça-feira), um apartamento qualquer, aqui perto, depois de se recusar, por meses, a atender ao pedido da Justiça. Mas, ontem (quarta), às 22h, ele voltou à casa dela e esfaqueou a minha nora”, relatou Ana Lúcia.

Ana Lúcia contou que Mark fugiu logo após cometer o crime, e permanece foragido. “Ontem à noite, ela correu até o meu portão, depois de ele já ter fugido, toda ensanguentada”, disse a mãe do homem, que também falou sobre o histórico de dependência química de Mark. “Ele bebia muito e usava drogas. Está desempregado há cinco anos”, contou.

A autônoma afirmou que quer ver o filho preso. “Me sinto muito triste e decepcionada. Não tem como explicar. Ele fez uma crueldade com ela. Ele não tem que estar solto, ele é um perigo para a sociedade. O que eu mais quero é que ele seja preso e pague pelo que fez”, disse.

A vítima e o suspeito eram casados há mais de 20 anos e tinham cinco filhos. Ana Lúcia afirmou que pretende continuar a criação dos netos, com a ajuda de um irmão de Mark, de 37 anos. “Vou fazer todo o possível, e até o impossível, para dar uma boa educação e cuidar deles”, disse.

A mulher deu características de Mark, para ajudar na localização. “Ele raspou o cabelo logo depois de fugir. Mark tem a tatuagem de um escorpião na perna direita”, disse Ana Lúcia, que divulgou uma foto do filho.

Histórico de violência

Ana Lúcia afirmou que Mark já agredido Marli várias vezes. “Ele era muito agressivo, muito violento. Ela já tinha tentado se separar dele várias vezes. Mas o juiz pedia para ele sair de casa e ele não saía. Mark entrava na residência e se recusava a sair. Ele já quebrou a cabeça e o braço dela, espancando”, relatou.

Segundo a autônoma, Mark também agredia as duas verbalmente. “Ele tinha esse processo pela Lei Maria da Penha, aberto por mim, mas ninguém fazia nada. Só mandavam ele sair da casa em que eles moravam. Mas, agora devem tomar alguma atitude, depois que ele matou ela”, disse a sogra da vítima.

Ana Lúcia disse que Mark já havia sido preso, em 2000, após ter matado a namorada, uma adolescente de 17 anos. “Ele foi preso, na época, e depois liberto após três meses, respondendo em liberdade condicional durante dez anos”, contou a autônoma.