Número de reincidentes nas cadeias do Amazonas aumenta 87% em quatro anos

Em 2017, por mês, em média, 2.993 presos foram reincidentes e voltaram para a prisão. Para o delegado-geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, a cadeia promove uma espécie de ‘especialização’ no crime

Gisele Rodrigues/Redacao@diarioam.com.br

Manaus – O número de presidiários que voltam ao crime aumentou 87% nos últimos quatro anos, segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Por mês, em média, 2.993 presos foram reincidentes e voltaram para a prisão, conforme dados de 2017.

(Foto: Arquivo)

Em novembro, a Seap registrou a entrada de mais de três mil presos, que já tinham dado entrada no sistema penitenciário anteriormente, conforme as informações disponibilizadas no portal de informações governamentais (E-Siga).

Ao longo dos anos de 2011 a 2017, a Seap recebeu mais de 170 mil ex-presidiários, reincidiram na criminalidade e voltaram aos centros de detenção. Enquanto que em 2011 o número de reincidentes fechou em 7.715 casos, até novembro deste ano o quantitativo chegou a 33.906 casos.

Para o delegado-geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, a reclamação dos policiais e delegados sobre as audiências de custódia é válida. Até o início do segundo semestre de 2017, 45% dos presos eram colocados em liberdade nas audiências, segundo informou o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

“Se trabalhar com números vai mostrar que estão certos (policiais e delegados). Eu acredito que a audiência de custódia não diminuiu a criminalidade, não promoveu esvaziamento da cadeia. Esse ano é um ano para se repensar. Nas próprias leis e políticas públicas”, disse o delegado.

Conforme o delegado, a cadeia atualmente promove uma espécie de ‘especialização’ no crime. “Essa estatística é uma prova de que as coisas não estão certas, que não está dentro do ideal, que precisa ser repensado todo o sistema”, avaliou Brito.

Mariolino elencou ainda os crimes que, de acordo com a experiência do delegado, são mais difíceis de recuperar o infrator. Segundo o delegado-geral, presos que cometeram crimes como os de homicídio, podem ser mais fáceis de recuperar do que os de roubo, por exemplo.

O delito de roubo, para Brito, se transforma como uma opção de vida do criminoso. Já o assassinato, muitas vezes, envolve fatores circunstanciais como uma briga, um desentendimento.

“Aquela pessoa optou por roubar, virou um modo de vida já definido para aquela pessoa, e esse criminoso dificilmente vai parar, não pensa em mudar de vida. Não tem uma política (pública) que impeça que faça o roubo”, disse o delegado.

Além do roubo, crimes como estelionato, tráfico de drogas e furto integram a lista do delegado. Dois estelionatários, a exemplo do que o delegado citou, foram presos no último dia 20 de dezembro. A Polícia Civil (PC) informou que deteve o casal Fábio Batista, 46, e Mônica Vilharva Valdes Souza, 36, nas zonas sul e oeste de Manaus. Eles são suspeitos de sumir com, pelo menos, R$ 200 mil de pessoas a quem prometiam fazer o dinheiro render. Os dois já tinham passagem pela polícia, quando fizeram outras vítimas no Mato Grosso, de onde vieram foragidos da Justiça para a capital amazonense há sete anos.

A suspeita da PC é que o casal atuava como estelionatário há sete anos na capital. Segundo a polícia, vítimas que disseram ter investido, e perdido, quantias como R$ 35 mil e até R$ 170 mil após terem investido com o casal. Uma terceira pessoa disse ter investido R$ 180 mil com o casal.