Polícia investiga se mortes na Compensa ocorreram após ‘racha’ dentro da FDN

Para delegado, traficantes queriam se vingar de pistoleiro que matou homem por engano

Girlene Medeiros / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O disparos que deixaram seis pessoas mortas e outras nove feridas no Centro Social Urbano (CSU) da Compensa, na zona oeste de Manaus, podem ter sido provocados por um ‘racha’ entre integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN). Essa é a nova linha de investigação da Polícia Civil (PC), segundo informações do delegado Juan Valério, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

O crime aconteceu na noite da última terça-feira (12), em campo de futebol, quando dois times do bairro disputavam uma partida. Conforme o delegado Juan Valério, a recente linha de investigação indica que a chacina pode ter sido uma retaliação ao assassinato de um homem confundido com um de traficante de drogas. A morte, ocorrida na semana passada, é atribuída à FDN.

De acordo com o delegado, um dos pistoleiros que atuam na Compensa tentou matar um traficante de drogas de outro bairro, mas acabou matando um homem que tinha o mesmo apelido do alvo do crime. O nome da vítima não foi divulgado. Para vingar o assassinato, segundo Juan Valério, traficantes do bairro onde o homicídio aconteceu foram até o CSU da Compensa para tentar achar o pistoleiro.

Conforme o delegado, os autores da chacina sabiam que haveria partida de futebol no local, e que os jogos são patrocinados por traficantes de droga. “O atrito interno ocasionou a situação. Nada melhor do que tentar encontrá-lo (o pistoleiro) durante o treino. Por isso que eles foram em maior número, um número expressivo de pessoas. Essa é a linha de investigação mais forte agora”, disse Valério.

Com base nessa linha de investigação, o titular da DEHS afirmou que os autores dos disparos chegaram ao CSU da Compensa e expulsaram um grupo de mulheres que jogava vôlei em uma quadra ao lado do campo. Ainda segundo Juan Valério, o grupo não chegou atirando nem conseguiu encurralar quem estava no campo – o que facilitou a fuga de algumas pessoas. “Eles chegaram, fizeram a contenção das pessoas e mandaram ficar no chão. Eles disseram que iam atirar em quem levantasse e tentasse correr”, afirmou o delegado, acrescentando que algumas pessoas fugiram por um beco.

Conforme as investigações, Jasson da Costa Pimenta, o ‘Jabá’, conseguiu escapar do campo. Após a fuga dele, que tem um mandado de prisão em aberto por homicídio, outras pessoas começaram a correr. Em seguida, o grupo deu início aos tiros. Seguranças de traficantes de drogas que foram assistir à partida ou participar do jogo revidaram.

O delegado informou que a Polícia Civil está descartando que o tiroteio tenha sido causado por brigas entre a FDN e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). “Pelo modus operandi, a gente percebe que eles foram para tentar identificar pistoleiros ou identificar alguém do grupo da FDN que estaria jogando bola. Por isso, que o grupo mandou todo mundo deitar. Acho que eles iriam averiguar um a um do time”, disse Juan Valério.

De acordo com o delegado, a nova linha de investigação explica a comemoração com fogos de artifício observada na zona sul, logo depois do ataque.

A DEHS está ouvindo testemunhas da chacina. De acordo com as investigações, algumas pessoas já tinham ouvido rumores de que haveria uma retaliação de traficantes no campo, quando a partida fosse realizada. O próximo passo dos investigadores é a identificação dos autores dos disparos.

A Polícia Civil montou uma força-tarefa para as investigações que inclui equipes da DEHS, da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), da Delegacia Especializada em Furtos de Veículos (DERFV), do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e da Secretaria Especializada Adjunta de Inteligência (Seai), vinculada à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP/AM).

Os investigadores buscam imagens captadas por câmeras do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) e por câmeras instaladas nos imóveis da área. “Pela questão do tráfico, a população tem muito medo de falar com a polícia para passar informações. Nós estamos tentando conscientizá-los que eles não vão estar denunciando nenhum dos traficantes da área deles. Na verdade, vão denunciar traficantes de outro lugar que foram para o Compensa”, disse Valério.

Com a nova linha de investigação, o delegado descarta o uso do termo ‘chacina’. Segundo Valério, seria uma chacina se os autores fossem ao campo intencionados a matar todos que estivessem no local, se já chegassem atirando, como se fosse um extermínio. “Não foi isso que aconteceu. Senão, eles tinham matado várias pessoas. Eles tinham armamento e pessoal para isso. Pelo contrário, eles tinham o objetivo de encontrar pessoas específicas”, acrescentou o titular da DEHS.



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