Tenente da PM é preso no momento em que receberia dinheiro de vítima, diz SSP

O comparsa dele, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) que é reincidente em crime de extorsão, conseguiu fugir no momento da abordagem, segundo a polícia

Édria Caroline / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Um tenente da Polícia Militar (PM), lotado no 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), foi preso em flagrante pelo crime de extorsão, na tarde dessa quarta-feira (31), em Manaus. O comparsa dele, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), conseguiu fugir no momento da abordagem, segundo a polícia. Ambos não tiveram os nomes divulgados, o que poderia atrapalhar as investigações, de acordo com a polícia.

Conforme o titular da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), coronel Amadeu Soares, as investigações começaram após denúncia (Foto: Sandro Pereira)

Conforme o titular da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), coronel Amadeu Soares, as investigações começaram quando uma das vítimas fez a denúncia ao Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), em que relatava a extorsão sofrida pelos homens, que se identificaram como policiais civis.

Amadeu Soares contou que, na última terça-feira (30), a vítima que fez a denúncia estava abastecendo sua embarcação de transporte de passageiros em outra embarcação que transporta combustíveis, popularmente conhecida como ‘charuto’, no momento em que o tenente e o servidor do TJAM fizeram a abordagem.

“Eles se identificaram como policiais e conduziram as vítimas até as proximidades do 24º DIP, onde começou a acontecer a extorsão. Eles pediram uma quantia em dinheiro para liberar uma das vítimas. A outra vítima foi liberada algum tempo depois com a condição de que providenciasse o dinheiro exigido pelos infratores”, explicou o secretário.

A primeira vítima entregou uma quantia de R$ 38 mil. Da outra vítima, os criminosos exigiam a quantia de R$ 100 mil, segundo o diretor do DRCO, Thomáz Vasconcelos.

Na quarta-feira, à tarde, os infratores voltaram a entrar em contato com a vítima, quando ela estava já estava na sede do DRCO, fazendo a denúncia. “A vítima falou que tinha apenas metade do dinheiro exigido (R$ 50 mil) e marcou um encontro com eles”, disse o coronel Amadeu.

Chegando ao local marcado, foi feita a abordagem policial e o PM foi preso, em flagrante, portando uma arma de fogo e uma quantidade de drogas que, segundo o secretário de segurança, seriam usadas para incriminar a vítima, caso a mesma não atendesse a exigência feita.

Depois de ser detido, o tenente foi levado para o Batalhão de Choque da Polícia Militar, onde permanece preso. O servidor do TJAM, que já foi identificado, conseguiu fugir do local e deve ter o mandando de prisão preventiva pedido ainda nesta quinta-feira (1º). As investigações vão continuar para que se possa apurar o possível envolvimento de outras pessoas na prática.

Conduta não manchará o nome da polícia, diz comandante

O comandante Geral da PM, coronel José Cláudio Silva, disse que serão abertos procedimentos na Corregedoria Geral e na Diretoria de Justiça e Disciplina da Polícia Militar para julgar a conduta do tenente e afirma que esta prática não será aceita nem manchará o nome da polícia do Estado.

“É preciso destacar que o policial responderá pelo sua má conduta, que em nada compactua com o regimento da Polícia Militar essa prática que é inadmissível. Certamente o policial será devidamente punido com a maior celeridade e nada manchará o nome do bom policial, que honra a PM do Estado e faz seu ofício de maneira honesta”, disse, em coletiva de imprensa, na manhã desta quinta.

O coronel José Cláudio Silva também destacou a importância das denúncias feitas pela população. “Conseguimos chegar neste caso porque a vítima veio denunciar. Então, é importante que a população, quando presenciar qualquer má conduta, que denuncie, para que as devidas providências sejam tomadas”, disse.

Servidor reincidente

Segundo o secretário de Segurança do Amazonas, coronel Amadeu Soares, o servidor do TJAM envolvido no caso já praticou outros crimes de mesma natureza, tendo como comparsas também policiais. “Na ocasião, ele não foi preso, mas foi identificado. No momento da abordagem, ele praticava um crime de extorsão nas proximidades da antiga sede da SSP, na Torquato Tapajós”, contou Amadeu.