Terror no Parque São Pedro: casas invadidas, moradores agredidos e delegado baleado

Mulher relata que filha foi espancada e torturada durante ação policial e, ao menos, seis casas foram 'invadidas. Segundo a PC, policiais foram recebidos com tiros e é natural que a abordagem não seja pacífica

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – “Horrorizados”. Essa foi a palavra mais usada por moradores do Parque São Pedro, no Bairro Tarumã, zona oeste da capital, sobre a operação da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos e Defraudações (Derfv) que terminou com o delegado da especializada, Péricles Nascimento, atingido com um tiro na boca e a morte do autor do disparo, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), Cliffer Lourival Grangeiro Figueiredo.

A maioria dos moradores não quis se identificar por medo de represálias, mas afirmaram que mais de 50 disparos foram ouvidos entre às 23h de domingo (8) e às 5h da manhã desta segunda-feira (9).

Moradores afirmam que casas na Rua Paraíso, no Parque São Pedro, foram invadidas durante ação policial (Foto: Sandro Pereira)

Ao menos seis casas foram “invadidas” pela polícia, conforme os moradores. Aldeniza Barros de Melo, de 22 anos, foi arrastada pelos cabelos, teve a cabeça colocada dentro de uma sacola plástica e foi espancada, segundo relatou a mãe dela, Angelita das Neves, de 66 anos.

“Escorria sangue pela boca da minha filha quando ela foi arrastada. Eles bateram na minha feito bicho, jogaram ela na lama e a minha filha é inocente, não tem nada. Pode puxar a ficha dela que você vai ver que não tem nada contra ela”, afirmou a mãe.

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A filha de Angelita, segundo ela, já foi mulher de um dos suspeitos, mas o casal está separado há mais de um ano e meio. Aldeniza tem um filho ainda lactante, segundo informações da mãe.

De acordo com os moradores, outras pessoas do bairro foram agredidas para fornecerem informações sobre o paradeiro dos suspeitos. “Aqui ninguém dormiu, eles chegavam na casa das pessoas tomando logo todos os celulares para ninguém gravar os que eles estavam fazendo”, disse outra testemunha, que pediu para não ter o nome divulgado.

“Tinham mais de dez viaturas aqui aterrorizando todo mundo. Aqui é um bairro que realmente muita gente não presta, mas tem muito trabalhador, pessoas de bem. Aqui a gente já sofre esse preconceito”, disse outra moradora.

Para o delegado geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, como os policiais foram recebidos com tiros, é natural que a abordagem não seja feita de forma pacífica. Segundo ele, excessos serão investigados.

A reportagem questionou da PC quantas pessoas foram presas e detidas para esclarecimentos durante a ação e o que foi apreendido mas, até a publicação desta matéria, não recebeu retorno.

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