Poliomielite tem cobertura vacinal de apenas 65%, no AM, e preocupa MS

Segundo o Ministério da Saúde (MS) quatro cidades do interior estão com taxa inferior a 50% entre as crianças menores de 1 ano, o órgão preconiza a imunização de, pelo menos, 95%

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Duas gotinhas separam as crianças da poliomielite, mesmo assim a cobertura da vacina que estava em 100%, em 2015, nos anos seguintes começou a cair e, hoje, está em 65%, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Susam). Vivendo epidemia de sarampo no Estado, a doença que causa paralisia infantil já estava erradicada há 30 anos e, atualmente, ronda os amazonenses por causa da baixa cobertura vacinal. Segundo o Ministério da Saúde (MS), quatro cidades do interior estão com taxa inferior a 50% entre as crianças menores de 1 ano, o órgão preconiza a imunização de, pelo menos, 95%.

A criança com poliomielite (paralisia) perde os movimentos em três dias. (Foto: Divulgação/Semsa)

Em Novo Aripuanã 93%, das crianças não estão protegidas contra a paralisia infantil. A luz vermelha foi acesa também para os municípios de Uarini, onde 58,75 % das meninas e meninos não receberam a vacina, seguido de Manacapuru (53,82%) e Eirunepé (53,25%) que integram a lista das 312 cidades do País com cobertura vacinal abaixo de 50%, segundo o MS.

A vacina está sendo vítima dela mesma. Na avaliação do diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, um dos motivos é que a atual geração de pais não viveu os impactos de doenças como o sarampo e a poliomielite.

Segundo a Susam, até junho deste ano estão com baixa cobertura as vacinas BCG (79%), febre amarela (56%), rotavírus (68%) e pentavalente (66%).

De acordo com Albuquerque, mesmo com a crise política e de saúde vivida pela Venezuela, os vírus não impactariam os roraimenses e amazonenses se a taxa de cobertura estivesse acima dos 95%. “Uma outra preocupação do País é a poliomielite. Em termos de cobertura que há 10 anos tinha 95% e 100%, e hoje está em torno de 65%. Quer dizer, tudo isso deixa suscetível a população, sabemos que o vírus ainda não foi erradicado no mundo todo e tem essa probabilidade porque a mobilidade para viajar aumentou”, explicou o diretor.

A próxima Campanha Nacional de Vacinação contra a poliomielite está marcada para 6 a 31 de agosto, segundo o MS.

A paralisia é uma doença em que, frequentemente, a criança perde os movimentos em três dias, segundo o MS.

Taxa de cobertura vacinal do sarampo é de 81%, no Estado

A taxa de cobertura da vacina contra o sarampo é de 81%, no Amazonas, quando o ideal é chegar acima dos 95%, segundo o Ministério da Saúde. O surto do sarampo começou em fevereiro de 2018 e, até esta quarta-feira, 11, o Amazonas tem 2.844 casos notificados, sendo 2.231 em Manaus, 507 em Manacapuru, 17 em Rio Preto da Eva, 14 em Iranduba, oito em Parintins, oito em Presidente Figueiredo e sete em Novo Airão.

Todos os casos confirmados estão na capital amazonense, segundo a Susam. Das 2.231 notificações em Manaus, 271 foram confirmadas, 145 descartadas e 1.815 encontram-se no momento sob investigação.

No Norte do País, a falta de procura pela vacina já é um grave problema de saúde pública que levou, inclusive, a capital amazonense a decretar situação de emergência no último dia 3 deste mês, por 180 dias.

Justamente os adolescentes e crianças estão entre os maiores alvos da baixa imunidade para o sarampo. O último boletim evidenciou que, em Manaus, jovens de 15 a 19 anos já representam 20,8% das notificações, seguido do grupo de crianças entre um e 5 anos (14,6%). Um dos últimos surto do sarampo no Amazonas, em 1990, levou à morte 67 pessoas, segundo o MS.

Reação

O decreto de situação de emergência feito pelo prefeito Arthur Neto provocou uma procura maior pela vacinação contra o sarampo. Além do decreto, a Prefeitura de Manaus convocou mais 140 servidores para reforçar o atendimento nos postos de vacinação e nos lugares com grande aglomeração de pessoas. Os novos servidores juntaram-se aos 120 agentes de saúde que já estavam em campo nas ações contra o sarampo.