Prédio da Vidal Pessoa se tornará espaço para cursos e manifestações artísticas

Segundo a SEC, após 111 anos de história, a antiga Cadeia Pública será restaurada para ser usada como Centro de Cultura Popular

Stephane Simões / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Após 111 anos de história, o prédio onde funcionava a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, na Avenida Sete de Setembro, Centro da Cidade, desativada em maio deste ano, será revitalizado e passará a ser usado como Centro de Cultura Popular, segundo o secretário da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Denilson Novo. O espaço será utilizado para desenvolver e comercializar artesanato, além de dar apoio aos grupos de expressão cultural do Amazonas para desenvolvimento de suas atividades.

“O Centro Cultural está muito bem localizado com as raízes históricas da nossa cultura popular. Aqui, no entorno, aconteciam os encontros dos Bois de Rua de Manaus e nós queremos aproveitar esse complexo histórico”, disse.

Uma das novas funções do espaço será desenvolver e comercializar artesanato (Foto: Sandro Pereira)

A Cadeia Pública de Manaus começou a ser construída em 1904, com inauguração no ano de 1906. O modelo de instalação de Centro Cultural em presídios já foi construído em outros estados brasileiros, como Natal, Fortaleza, Recife e Belém. E, agora, será implantado na capital amazonense.

“A exemplo do que fazem outros grandes centros culturais, que também foram construídos em presídios, nós queremos preservar uma cela de maneira intacta, para que a população saiba que ali funcionou um presídio”, contou.

Segundo a diretora do Departamento de Patrimônio Histórico da SEC, Regina Lobato, o projeto de ocupação da Cadeia Pública já existia desde o governo anterior. “Em outubro de 2016, quando a cadeia foi desocupada pela primeira vez, a secretária de cultura ficou a intenção de fazer essa ocupação, só não estava definido o que seria implantado”, afirmou.

A SEC contará com o apoio da Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab), que oferecerá cursos de capacitação para artesãos, além de realizar o credenciamento destes profissionais para que possam trabalhar de maneira regularizada.

Após 111 anos, Cadeia Pública é desativada (Foto: Sandro Pereira)

“Nós queremos fazer um trabalho de restauração da construção original e instalar um local propício para que a gente possa desenvolver e comercializar as atividades do artesanato, para que os turistas possam ver esses objetos sendo produzidos”, acrescentou o secretário de cultura.

Para o secretário, o principal objetivo é resgatar a cultura e manifestações populares do Estado, como as pastorinhas e benzedeiras, além de exposições plásticas que contam a nossa história cultural. O espaço busca, ainda, inserir projetos de apoio a diversas manifestações folclóricas de apresentações e de danças tradicionais, como a dança do cacetinho, as quadrilhas e os bois da capital, Brilhante e Corre Campo.

“Nós queremos expor objetos antigos destes bois, muitos dos fundadores ainda guardam estes objetos. Essas exposições contarão a história destes bois, como surgiram, como funcionavam e de que maneira eles interagiam com a população amazonense”, ressaltou.

Para o desenvolvimento desta restauração e implementação do espaço, a secretaria tem buscado apoio e parceria com investidores. De acordo com o secretário, uma reunião seria realizada, ainda nesta quarta-feira (6), com um grupo de investidores chineses.

“Nós estamos, neste momento, iniciando algumas negociações em busca de recursos. Não é uma obra barata, não é uma obra que talvez consigamos concluir em um ano de gestão, mas temos certeza da importância desse trabalho”, contou.

Espaço será restaurado pela SEC (Foto: Sandro Pereira)

A restauração

O início das obras ainda não tem data prevista, segundo a secretária da Secretaria de Estado de Administração e Gestão (Sead), Angela Bulbol. Mas a previsão é que, no primeiro semestre de 2018, algumas ações sejam realizadas. “É possível garantir que em 2018 nós já iniciemos as ações preliminares, de estudos, identificação e registro da memória arquitetônica, do acervo, as grades, as paredes, visando preservar a memória do Amazonas”, afirmou.

Segundo o secretário de cultura, o primeiro passo será demolir toda a estrutura que foi construída alterando o projeto original da Cadeia. Em seguida, será feito o processo de restauração, para descobrir a pintura original.

A cadeia, hoje, tem inúmeros anexos. Segundo Regina Lobato, o espaço conta com 5 mil metros, sendo 2 mil metros não originais, que deverão ser demolidos. Ela ressalta que estas estruturas encontram-se em péssimas condições e já há um orçamento prévio para início das obras. “Nós já temos uma prévia do orçamento que seria para demolir o que não é original, que poderia acontecer juntamente com o desenvolvimento do projeto. Enquanto vão limpando, vão tirando tudo o que não era original, a gente desenvolveria o projeto arquitetônico para poder alcançar o nosso objetivo”, acrescentou.



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