Procurador afirma que mãe cogitou tirar a vida do filho por atraso de pagamento da Saúde

O drama foi relatado pelo procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT), Jorsinei Dourado, nesta terça-feira (22), durante manifestação de terceirizados

Manaus – Uma mãe cogitou tirar a vida do próprio filho após se ver sem o recebimento do salário e sem o benefício do auxílio-maternidade, devido a crise nas cooperativas que terceirizam trabalhadores para a rede de Saúde do Estado. O drama da mãe foi relatado pelo procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT), Jorsinei Dourado.

Na manhã desta terça-feira (22), cerca de 200 profissionais da Saúde fizeram um protesto na frente do órgão, em Flores, zona centro-sul de Manaus. Devido a falta de recolhimento previdenciário e a falta do pagamento dos salários, os manifestantes relataram o desespero enfrentado pela falta de pagamento, segundo informou Dourado.

“Muitos trabalhadores acabaram sem receber o auxílio-maternidade. Recebemos a informação que uma mãe com o filho recém-nascido, não sei se por conta do estado puerperal, cogitou matar o filho porque não está recebendo nada, não está em condições de pagar uma alimentação para ele”, afirmou o procurador.

Manifestantes fecharam a Avenida Mário Ypiranga durante o protesto pelos salários atrasados (Foto: Divulgação/Gisele Rodrigues)

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Desespero

“Meus filhos ficaram com fome em casa. Não tinha mais cara de pedir comida dos outros”, disse o técnico de enfermagem Marcelo Lima, que está há quatro meses com o salário atrasado.

Lima contou que não tinha o que dar aos dois filhos no café da manhã. Durante esses meses trabalhando sem receber, apenas com o vale-transporte, o técnico de enfermagem relatou que tem procurado trabalhos extras para sustentar a família. “E não sou só eu. Tenho colegas que estão em depressão. Todo dia a gente trabalha na esperança de receber, mas até agora nada. Passo dificuldade com meus filhos”.

Dependendo da ajuda dos amigos e vizinhos, Raimunda Oliveira contou que ficou na mão de agiotas, após emprestar R$ 500. Há sete anos trabalhando como técnica de enfermagem, ela também está há quatro meses sem receber os salários. “Já passei por isso e foi a pior coisa, fiquei na mão de agiota, que me ameaçou, emprestei R$ 500 e tive que pagar R$ 2 mil, tudo isso porque a gente mão recebe”.