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‘Sangue bons’ mantêm estoque da FHemoam

Considerados pelo FHemoam de ‘sangue bom’ por causa da qualidade de vida que levam, religiosos e atletas quase sempre tem o sangue aprovado para doação

Karla Mendes /redacao@diarioam.com.br

Grupos de adventistas fazem doações todos os sábados (Foto: Divulgação)
Grupos de adventistas fazem doações todos os sábados (Foto: Divulgação)

Manaus – Todos os anos, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) realiza campanhas em busca da arrecadação de sangue e busca de novos doadores. Pensando nisso, grupos que segundo o a FHemoam, são considerados de ‘sangue bom’, como religiosos e atletas, por exemplo, ajudam também a manter o estoque de bolsas de sangue da Fundação.

De acordo com dados da FHemoam, atualmente, 200 mil pessoas estão cadastradas no sistema , mas, somente 4,5 mil fazem doações com regularidade.

A especialista em hemoterapia, Maria Viga, 66, que trabalha há 30 anos na FHemoam afirma que os bons hábitos podem influenciar na qualidade do sangue doado.

“É claro que uma pessoa que tem bons hábitos, como o de não fumar e beber, ter uma alimentação saudável e que se exercita, pode ter um sangue melhor do que aqueles que não cuidam da saúde. Grupos que vêm doar sangue, como os de evangélicos, católicos, os atletas e pessoas que prestam mais atenção na saúde e qualidade de vida, possuem uma chance menor de ter o sangue descartado nos exames preliminares para a doação”, explicou.

Durante a semana do Dia Mundial do Doador de Sangue, data que é comemorada no dia 14 de junho, grupos de ‘sangue bom’ participaram de campanhas para ajudar a FHemoam, arrecadando cerca de 900 bolsas para a instituição. Maria Viga afirma que o número é satisfatório, mas não é o suficiente par atender a demanda da Fundação.

“Nesta semana, nós coletamos cerca de 900 bolsas de sangue, o que é um número bom, mas não quer dizer que não precisamos de doações. Como nós atendemos a demanda de todo o Estado, sempre precisamos de mais doações”, afirmou Maria.

 

Projeto Vidas por Vidas

Visando ajudar a coleta de bolsas de sangue na região, o projeto Vidas por Vidas, criado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) há mais de 10 anos, faz uma campanha durante todo o ano, para incentivar jovens a doarem bolsas de sangue pelo País.

De acordo com o pastor da IASD e coordenador do projeto Vidas por Vidas nos Estados de Amazonas e Roraima, Ormeu Lima, o projeto já levou mais de 2.000 bolsas de sangue nos pontos de coleta em Manaus.

No Amazonas, e parte de Roraima, o projeto acontece durante o ano todo, em ações que acontecem todos os sábados. “A cada sábado nós levamos um grupo de jovens, de cada igreja, para doar sangue. A ideia nasceu no Rio Grande do Sul e era prevista para acontecer no período da semana santa, mas tomou outras proporções com o passar do tempo. Após o sucesso do projeto na Região Nordeste, a Igreja resolveu levar a ideia para toda a América do Sul”, explicou Ormeu.

O hábito de não consumir bebidas alcoólicas, não fumar e até a prática do vegetarianismo fazem parte da rotina de vida dos adventistas. Ormeu Lima ressalta que quase 100% das doações são classificadas como aptas para doação.

“O próprio Hemoam reconhece esse diferencial do jovem adventista, por conta desse estilo de vida. A probabilidade de descarte do sangue é muito menor do que a dos outros doadores. É um aproveitamento de quase 100% na utilização deste sangue”, ressalta.

 

Doação pode ser feita por pessoas entre 18 e 69 anos

Existem critérios básicos determinados pelo Ministério da Saúde para definir possíveis doadores de sangue. A princípio, o órgão estabelece que, para doar sangue, é preciso ter mais de 18 anos, e comparecer ao local de coleta portando um documento original com foto.

“Quaisquer pessoas entre 18 e 69 anos e 11 meses, com peso a partir de 50 quilos e que estiver bem alimentado, podem doar sangue”, ressaltou Maria Viga, da Fundação Hemoam.

Pessoas que tiveram hepatite após os 10 anos de idade, que já foram usuários de drogas, que fizeram tatuagens nos últimos três meses, têm suspeita de malária, receberam transfusão sanguínea e contraíram doenças sexualmente transmissíveis nos últimos 12 meses não podem doar sangue.

Os postos de coleta funcionam de segunda a sábado, das 7h às 18h na sede da FHemoam, na Avenida Constantino Nery, no bairro Chapada, zona centro-sul de Manaus, ou no Posto Avançado de Coleta do FHemoam, na Maternidade Estadual Ana Braga, na Alameda Cosme Ferreira, zona leste de Manaus.