Um mês após morte, rodoviários seguem rotina de medo no transporte público

De acordo com a PC, investigações em torno do latrocínio que vitimou o motorista Francisco Araújo seguem em andamento, afim de identificar e prender o segundo envolvido no crime

Édria Caroline / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Após um mês da morte do motorista de ônibus Francisco Araújo da Silva, vítima de um latrocínio ocorrido dentro da linha 450 na Avenida Max Teixeira, bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus, colegas de profissão da vítima ainda convivem diariamente com o medo. Dos dois envolvidos no crime, um ainda não foi identificado pela polícia.

Um mês após crime, polícia ainda não identificou os responsáveis pela morte do motorista Francisco Araújo. (Foto: Jimmy Geber/Arquivo)

Na estação de ônibus da empresa São Pedro, na Ponta Negra, zona oeste, motoristas afirmam que do dia 14 de junho até hoje, quatro assaltos, na mesma linha em que Francisco trabalhava quando foi morto, já ocorreram. “Um dos assaltos ocorreu na primeira viagem, não era nem 5h30, não levaram quase nada. Mas, mesmo assim, gera uma série de traumas nos trabalhadores. Imagine só ter uma faca apontada para você?”, conta o administrador de linha José Borges, 48. Ele ainda contou que desde a morte de Francisco, a cobradora que estava com ele no dia em que o crime ocorreu não voltou mais para trabalhar.

Vítima de seis assaltos, sendo o último há cinco meses, a cobradora de ônibus Daiana Marques Leal, 38, disse que até já pediu demissão da empresa com medo de ser assaltada novamente. “Eu pedi a minha conta, mas não me deram e eu continuei porque preciso. Mas a gente trabalha com medo todos os dias. As câmeras que instalaram nos ônibus não servem para nada, os bandidos não têm medo. Estamos completamente a mercê disso”, conta. Daiana trabalha na empresa há mais de dez anos e teve a oportunidade de dividir a mesma linha de ônibus com Francisco.“Ele era muito tranquilo, na dele, prestativo. Depois da morte dele, o que fizeram? Infelizmente, nada. Continuamos com essa sensação de insegurança”, lamenta.

Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Amazonas, as investigações em torno do latrocínio que vitimou Francisco Araújo seguem em andamento, afim de identificar e prender o segundo envolvido no delito. O outro envolvido no latrocínio, um adolescente de 17 anos que foi atingido com um tiro na cabeça durante o assalto, morreu no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. João Lúcio, seis dias depois.

Morto durante assalto

Durante um assalto ao ônibus da linha 450, na entrada da Avenida Max Teixeira, bairro Cidade Nova, zona norte, uma troca de tiros entre um passageiro e os assaltantes atingiu as costas do motorista da linha Francisco Araújo da Silva, na época com 51 anos, que morreu no local. O crime aconteceu na noite do dia 14 de junho. Um dos assaltantes foi atingido com um tiro na cabeça e o outro conseguiu fugir, mesmo atingido, em um matagal.

Francisco já havia passado por outras tentativas de latrocínio e se queixava constantemente dos assaltos, segundo informou o irmão dele, Enilson Araújo, 44, após o crime.

“Falava todo dia pra mim que já estava à procura de se aposentar. A segurança é praticamente zero. Não aparece ninguém dos Direitos Humanos para nos confortar. Mas quando pegam vagabundo, todo mundo corre em cima”, disse Enilson.

Operações, investigações e blitzes relâmpago

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), operações foram intensificadas pelo órgão para coibir ocorrências de assalto a ônibus. Além disso, há investigações em curso para identificar a atuação de grupos criminosos e a operação Catraca, que faz blitze relâmpago nos ônibus do transporte público. A Polícia Militar está atuando em ação de reforço nos cinco terminais de integração da capital amazonense, entre 5h e 8h, e entre 17h e 19h, diariamente.

Outra medida é o aplicativo Aviso Polícia, um botão do pânico para a população que flagrar qualquer situação de ameaça. O aplicativo está disponível nas plataformas Android e iOS, bastando pesquisar ‘Aviso SSP’.

Só nos primeiros cinco meses do ano, a secretaria registrou 1.266 ocorrências de assaltos a transportes públicos em Manaus.