Ambientes alagados da Amazônia emitem mais metano que todos os oceanos juntos

Um estudo feito por cientistas britânicos e brasileiros, publicado na revista Nature, mostrou que ambientes alagados da Amazônia emitem entre 15 e 20 milhões de toneladas de metano por ano

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Ambientes alagados da Amazônia emitem entre 15 e 20 milhões de toneladas de metano por ano, o equivalente ao que é liberado por todos os oceanos juntos. A conclusão é de um estudo de cientistas britânicos e brasileiros, publicado na revista Nature, em dezembro de 2017. A pesquisa afirma que a Amazônia responde por um terço de todas as emissões de metano em ecossistemas alagados do mundo. As informações foram divulgadas no site Nexo.

Estima-se que a produção por combustíveis fósseis seja de cerca de 167 milhões de toneladas por ano, no mundo todo. Esses gases não são produzidos pelas árvores vivas, mas os troncos destas servem de principal canal para sua liberação. A produção segue o ciclo da floresta: na época seca, áreas alagadas ficam com menos água, o que leva ao crescimento de ervas e gramíneas. Quando as águas sobem novamente, a vegetação submersa morre e se decompõe sem oxigênio, o que leva à produção de metano. É esse gás, canalizado principalmente pelos caules das árvores, que os pesquisadores mediram.

Em 2011, pesquisadores sobrevoaram áreas da Amazônia sobre o Amazonas, Pará, Acre e Mato Grosso, colhendo amostras de ar em frascos de vidro. Essas amostras foram analisadas para descobrir a concentração de gases estufa, entre eles monóxido de carbono (CO), metano e gás carbônico, o que serviu de base para estimar a produção anual desses gases.

Entre 2013 e 2014, outra equipe passou a medir o gás metano liberado por meio das árvores. Unidades de coleta para medição de metano foram posicionadas em 13 pontos de várzeas e igapós dos rios Negro, Solimões, Amazonas e Tapajós. Câmaras flutuantes foram utilizadas para medir as emissões de metano pela superfície da água, e câmaras estáticas, ao redor de troncos e folhas para medir as emissões de 2.300 árvores. As taxas destes locais foram utilizadas como base para estimar as emissões da floresta como um todo. Tanto as estimativas das medições próximas ao solo quanto aquelas baseadas na coleta de ar tiveram resultados similares.

Os pesquisadores afirmam que a “Amazônia, ao contribuir com até um terço de toda a emissão de CH4 (metano) de ecossistemas alagados, é uma fonte de CH4 muito maior do que aquilo reportado nos atuais inventários, e provavelmente exerce uma influência maior na variação da concentração de CH4 atmosférico do que se pensava anteriormente”.

Em entrevista à Revista Fapesp, a professora da Universidade Paulista (Unip) Luana Basso, uma das autoras do estudo, afirma que é importante compreender o processo para buscar “prever como a floresta se comportará em diferentes cenários de mudanças climáticas”.