Inpa lança cartilha para identificar peixe capturado com isca de boto cor-de-rosa 

Mantida a pesca da piracatinga, estima-se, segundo o Inpa, que mais de 2 mil botos são mortos por ano, em algumas regiões da Amazônia. Consequência pode ser a extinção da famosa espécie

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

O boto cor-de-rosa é o maior golfinho de água doce do planeta, podendo viver até 50 anos (Foto: Raimundo Valentim/ Arquivo)
O boto cor-de-rosa é o maior golfinho de água doce do planeta, podendo viver até 50 anos (Foto: Raimundo Valentim/ Arquivo)

Manaus – Para conscientizar sobre o combate às atividades ilegais de caça e pesca de botos da Amazônia, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realizará, na segunda-feira (19), o lançamento oficial da cartilha intitulada ‘Guia de identificação das principais espécies de peixes comercializados como douradinha’. O evento está previsto para começar às 16h, no Auditório da Casa da Ciência. As informações são do Inpa.

Coordenado pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), em parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e o Ministério Público Federal (MPF), o lançamento da cartilha faz parte, segundo o Inpa, das atividades da Campanha Alerta Vermelho, que se dedica à conservação dos botos da Amazônia.

A campanha busca impedir a matança do boto-vermelho ou boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis), usado como isca para a pesca da piracatinga (Calophysus macropterus), peixe também conhecido como douradinha. O Alerta Vermelho pretende combater as atividades ilegais de caça e pesca, através do engajamento e da participação ativa das pessoas, dentro e fora da região amazônica.

De acordo com o Inpa, a pesca e a comercialização da piracatinga estão proibidas desde o dia 1º de janeiro de 2015. A moratória foi usada como forma de conter a matança indiscriminada de botos e jacarés nos rios da Amazônia, que são usados como isca para a pesca do peixe. Até 2020, a pesca deste peixe está proibida.

Elaborada pelas mestrandas Angélica Nunes e Louzamira Biváqua e pela pesquisadora líder do LMA, Vera Maria da Silva, o guia será útil para a identificação desse pescado, muitas vezes já processado nos frigoríficos da região.

Segundo Nunes, mestranda em Ecologia do Inpa e uma das organizadoras do evento, a cartilha  foi pensada para fornecer aos órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização do pescado e frigoríficos no Amazonas, material e capacitação para a identificação da piracatinga. ”O fiscal poderá identificar o pescado, já que a piracatinga é geralmente comercializada sob nome fantasia de ‘douradinha’ e outros”, diz a mestranda.

 

Risco de extinção

Mantida a pesca da Piracatinga, estima-se, segundo o Inpa, que mais de 2 mil botos são mortos por ano, em algumas regiões da Amazônia. Assim, a espécie corre o risco de desaparecer em um futuro próximo, já que é utilizado como isca na pesca daquele peixe.

O boto-vermelho (Inia geoffrensis) é o maior golfinho de água doce do planeta, podendo viver até 50 anos, mas as taxas reprodutivas são baixas. O longo período de cuidado parental, aliado à ameaça dos caçadores e pescadores ilegais, têm fragilizado a espécie.



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