Especialista alerta para risco de contaminação de peixes após vazamento de óleo, no Rio Negro

O grupo Chibatão teve as atividades do porto, responsável pelo vazamento, embargadas e foi notificado a dar assistência às famílias e pescadores afetados

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Dias depois do naufrágio que causou o vazamento de quase 2 mil litros de óleo diesel no Rio Negro, o acidente ainda afeta quem mora na região do Porto do Ceasa e proximidades. O grupo Chibatão, responsável pela embarcação, teve as atividades do Porto Chibatão embargadas, após o acidente. Especialistas alertam que o óleo que vazou no rio pode causar a escassez e contaminação de peixes e orientam que a população local evite o consumo do pescado e não tenha contato com a água nas próximas semanas.

O grupo Chibatão informou que realizou serviço para retirar parte do óleo, utilizando uma espécie de esponja para absorção do produto. A correnteza também ajudou a limpar a área onde houve o vazamento, mas o local pode não estar totalmente limpo.

De acordo com Tereza Cristina, doutora em Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o produto pode causar escassez e contaminação de peixes. “Os peixes que se alimentam na margem, que estão transitando nesses canais saem da região porque mudam as características que são favoráveis para sua permanência naquele ambiente. O primeiro impacto é a escassez e, com a permanência do contaminante no ambiente, os peixes passam a ingerir esses poluentes, que são cancerígenos e causam mutações genéticas e, conforme a permanência do poluente nas margens, nas macrófitas [plantas aquáticas], no ambiente, essa contaminação pode ir aumentando, na biota aquática”, explicou.

Como o Rio Negro é usado para acesso a outras cidades e tem partes utilizadas por banhistas, a especialista orienta que população evite o contato com a água nas áreas próximas ao Porto da Ceasa e em comunidades da zona leste de Manaus. “Sugiro que a população não tenha contato com a água por esse período, pelas próximas semanas. É importante não ter o contato, porque [o produto] pode ser absorvido pela pele…entra esses contaminantes que são cancerígenos por absorção da pele, por exemplo; e evitar o consumo do pescado local por algumas semanas, pelo menos”, disse.

Além de embargar as atividades do Porto Chibatão, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que notificou a empresa J.F de Oliveira Navegações Ltda., pertencente ao grupo Chibatão, para o pagamento de cestas básicas, água potável para cem famílias e a recuperação imediata das áreas degradadas pelo óleo diesel que vazou depois do naufrágio da embarcação no porto Ceasa, no bairro Mauazinho, zona leste.

Conforme o Ipaam, a notificação não suspende o embargo do Porto nem substitui a multa por crime ambiental que deve ser aplicada nos próximos dias.

Nessa quarta-feira (5), o Ipaam informou à REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) que a empresa começou a cumprir a notificação, com a distribuição de cestas básicas, água potável, kit limpeza e atendimentos médicos para cerca de 230 pessoas, das 120 famílias atingidas pelo vazamento do óleo. Ao todo, 28 pescadores e auxiliares receberão ajuda de custo por cinco dias não trabalhados.

Para quem vive na área do porto, as medidas adotadas até agora não resolvem o problema. “É um vazamento de óleo. Já vimos outros situações parecidas”, disse o barqueiro Fredson Soriano.

*Colaborou Lane Gusmão, da TV DIÁRIO/RECORD NEWS MANAUS.

Especialista alerta para risco de contaminação de peixes por causa de vazamento de óleo causado pelo Chibatão

Especialista alerta para risco de contaminação de peixes por causa de vazamento de óleo causado pelo Chibatão. #d24amSaiba mais: d24am.com

Posted by D24am on Thursday, September 6, 2018