Greenpeace aponta fraude na exportação para EUA e Europa de madeira da Amazônia

Investigação levou a uma lista de 37 companhias americanas apontadas como os principais clientes de exportadores brasileiros que vendem madeira “com indícios de ilegalidade”

Das Agências / redacao@diarioam.com.br

Manaus – A exportação de madeiras de lei, como a de ipê, principalmente para os Estados Unidos e a Europa, alimenta um comércio ilegal que devasta a floresta amazônica, alertou o Greenpeace. Uma investigação levou a uma lista de 37 companhias americanas apontadas como os principais clientes de exportadores brasileiros que vendem madeira “com indícios de ilegalidade” para fabricar mesas ou móveis de jardim.

Retirada de ipês exige uma destruição de outras árvores ao redor (Foto: Reprodução)

Empresas na França, Portugal, Bélgica e Holanda são as próximas na lista de grandes compradoras de madeira suspeita, de acordo com o relatório de 27 páginas da organização, intitulado ‘Árvores imaginárias, destruição real’.

Segundo o relatório, madeireiras e funcionários públicos brasileiros executam esquemas sofisticados que permitem cortar estas árvores muito abaixo do permitido, sem que isto as impeça de obter os documentos necessários para exportar a madeira com enormes lucros.
O ipê pode crescer até 30-40 metros e sua madeira é uma das mais densas e duras do mundo, chegando a afundar quando colocada na água. Isso faz com que esta madeira seja um excelente material para móveis de áreas externas e deques.

Mas como o ipê está disperso na floresta, com suas exuberantes flores rosas, roxas, amarelas e brancas colorindo o verde da Amazônia, cortá-los exige uma destruição em grande escala. “Madeireiros inescrupulosos destroem a floresta com estradas ilegais, invadindo de forma ilegal áreas protegidas e terras indígenas, degradando a floresta e às vezes cometendo atos de violência contra as comunidades locais”, afirma Rômulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.

Segundo o Greenpeace, no Estado do Pará, por exemplo, engenheiros fazem inventários falsos em áreas florestais, inflando o número de árvores ou classificando árvores de baixo valor como se fossem de gama alta.

Estas árvores falsas são usadas depois para gerar créditos legais que madeireiros usam para seu carrega mento ilegal de ipês cortados em áreas protegidas. “As agências estatais então emitem créditos pela colheita e traslado desta madeira inexistente”, disse o Greenpeace. “Esses créditos podem ser usados para ‘manipular as contas’ de serrarias que processam árvores ilegalmente extraídas de florestas em terras indígenas, áreas protegidas ou terras públicas”, completou.