Inpe registrou, neste domingo, 142 focos de queimadas no AM

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, os focos de calor foram responsáveis pela nuvem de fumaça que cobriu Manaus, nesta segunda-feira (29)

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – De acordo com o Centro de Monitoramento de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente neste domingo (28), o Amazonas registrou 142 focos de queimadas. De acordo com o diretor de fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Eneás Gonçalves, os focos de calor foram responsáveis pela nuvem de fumaça que cobriu Manaus, nesta segunda-feira, 29.

Conforme o Inpe, pelo menos, 33 grandes incêndios em municípios do entorno da capital amazonense foram registrados no domingo. A nuvem de fumaça só deve deixar a capital, segundo Gonçalves, se ocorrer uma mudança no clima (vento e chuva).

Além dos focos na Região Metropolitana de Manaus (RMM), o Inpe registrou, no domingo, 27 focos no município de Maués (distante 276 quilômetros de Manaus em linha reta), Apuí com 26 queimadas e Uricurituba foram os que mais registraram grandes incêndios.

O diretor de fiscalização disse que a poluição é decorrente do elevado número de focos de queimadas de grandes proporções registradas nos municípios da Região Metropolitana e interior do Amazonas, além de Estados vizinhos.

Manaus amanhece sob fumaça formada por focos de incêndio (Foto: Sandro Pereira)

“Infelizmente, a capital sofre os efeitos desta densa camada de fumaça que permanece estacionada sobre a cidade, causando sérios danos à saúde da população”, disse.

A partir do mês de setembro é que as queimadas se intensificam, por isso, na avaliação de Gonçalves o trabalho de prevenção não pode começar só no período mais quente. Segundo ele, a Semmas desenvolve, a partir de junho, ações de corpo a corpo das ruas, sensibilizando e fazendo o atendimento de denúncias de focos.

O Inpe informou que somente focos com mais de 30 metros são identificados pelo satélite, então é possível, conforme o diretor que o número de queimadas seja ainda maior.

Manaus

De janeiro a setembro deste ano, foram 278 denúncias de queimadas foram registradas em Manaus contra 302 do mesmo período do ano passado, o que aponta uma tendência de 8% de redução dos indicadores de queimadas na capital.

“Uma contribuição muito forte da zona rural, de Autazes, do entorno de Manaus em geral. É evidente que a área urbana contribui, mas é insignificante. Acontece que já uma cultura amazônida, que a partir do mês de setembro em diante, os criadores preparam seus campos para pasto e acham conveniente queimar”, explicou o diretor, cobrando um posicionamento mais efetivo dos órgãos ambientais estaduais e federais.

Doenças

Olhos lacrimejando, garganta arranhando e até mesmo náuseas. São inúmeros os sintomas em pessoas que vivem em grandes centros urbanos, que como Manaus a quantidade de fumaça vinda da poluição ou de queimadas em vegetação tem se tornado cada vez mais frequente.

A médica Eline Amancio contou que as doenças respiratórias são causas de morbimortalidade no Brasil e no mundo, sendo as crianças o maior grupo de risco, principalmente, devido à imaturidade inerente ao crescimento, relacionada ao desenvolvimento dos pulmões e do próprio sistema imunológico.

“Pessoas que já tenham algum tipo de doença respiratória podem ter o agravo da mesma. Em tempos de seca e queimadas, o ar fica muito poluído e isso agrava o sistema respiratório, principalmente os pacientes que já possuem algum tipo de doença como bronquite, asma, rinite e sinusite alérgica”, disse a especialista.