Caprichoso exalta artesãos e se despede de Brena Dianná, na 3ª noite do Festival

Após dez anos, a rainha do folclore se despediu, em meio a lágrimas e euforia da nação azulada. O ritual indígena da noite apresentou o pajé Netto Simões

Édria Caroline / redacao@diarioam.com.br

Manaus – No último ato do espetáculo ‘Sabedoria Popular: uma revolução ancestral’, o boi Caprichoso encerrou o 53° Festival Folclórico de Parintins clamando igualdade e respeito à diversidade, já na madrugada desta segunda (2). Lendas amazônicas, a arte dos artesãos e a despedida da rainha do folclore Brena Dianná marcaram a noite.

A figura típica regional da noite fez uma homenagem às caboclas artesãs, que materializam peças para enfeitar casas, mesas, transportar alimentos, imortalizando o artesanato. A alegoria dos artistas Makoy Cardoso e Glemberg Castro, ao abrir-se, revelou artistas fazendo pinturas no meio da arena do Bumbódromo.

Uma das lendas amazônicas mais conhecidas também fez parte do espetáculo azul e branco. O personagem do imaginário caboclo que é metade boto metade homem e, em noites de lua cheia, emerge do fundo do rio e seduz belas caboclas revelou a rainha do folclore Brena Dianná, que após dez anos se despediu do item nesta noite, em meio a lágrimas e euforia da nação azulada.

O ‘boitatá’, cobra de fogo que aparece em noites escuras, deixando caminhos de fogo por onde passa rastejando, de aproximadamente 40 metros de comprimento, revelou a cunhã-poranga Marciele Albuquerque.

Na aldeia Makurap, no sepultamento dos mortos, há um clamor de que os espíritos da bravura acompanhem a alma do guerreiro falecido rumo ao ‘dowari’ (a morada dos mortos). O ritual indígena da noite apresentou o pajé Netto Simões.

Confiante no bicampeonato, o presidente do boi Caprichoso, Babá Tupinambá, se mostrou satisfeito com a apresentação das três noites do festival e disse que a meta do Conselho de Artes foi alcançada. “Há oito meses, nós abraçamos esse projeto, muito obrigado Erick Nakanome (coordenador do Conselho de Artes), um garoto que veio da escolinha para inovar no festival e mostrar que nós não perdemos as nossas raízes. O Caprichoso é audácia, sentimento, emoção e com as bênçãos de Deus, vamos conquistar esse bicampeonato”, disse.