População de botos na Amazônia cai pela metade em 10 anos

Levantamento feito pelo Inpa com base nos dados coletados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá-AM levanta preocupação sobre o risco de extinção da tradicional espécie

Da Redação e Agências/ redacao@diarioam.com.br

Manaus – Apopulação de botos na Amazônia caiu pela metade nos últimos dez anos. É o que revela um pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) publicada na revista científica PLOS ONE. Personagem do folcore brasileiro, o boto, agora, corre risco de virar, literalmente, uma lenda.

O boto cor-de-rosa é o maior golfinho de água doce do planeta, podendo viver até 50 anos (Foto: Raimundo Valentim/Arquivo DA)

Na bacia amazônica, existem basicamente duas espécies de botos: o famoso boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o boto-preto (Sotalia fluviatilis), também conhecido como tucuxi. Esses eram espécimes abundantes nos momentos áureos da bacia, mas hoje, de acordo com o estudo, eles estão quase em extinção.

A pesquisa usou dados dos últimos 22 anos (de 1994 a 2017), obtidos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas — onde os botos eram contados mensalmente. As taxas encontradas são as mais severas desde que se começou a medir a caça de baleias e golfinhos. A pesca desenfreada é uma das razões pelo declínio constante. Em 2014, diversos veículos de comunicação denunciaram que a carne do boto-cor-de-rosa era usada como isca para a pesca na Amazônia.

A estimativa feita com base nos dados coletados em Mamirauá indica que o declínio da população de botos-tucuxi ocorre mais rapidamente, com a perda de metade da população a cada nove anos. Já o boto-cor-de-rosa perde metade da população a cada dez anos, segundo o estudo.

Atualmente, as duas espécies de botos não constam na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação (IUCN Red List) por falta de dados numéricos. Segundo o estudo, se a lista usar essas novas informações para definir o quão ameaçadas as espécies estão, elas seriam colocados na categoria ‘criticamente em perigo’, a última antes de o animal ser extinto.